20/04/2011
23/03/2011
22/03/2011
18/03/2011
Mandei
on monday
morning
Alice morder
as hélices
do meu teco-teco
Ela sorriu estilhaçada
de frio e vento
batendo na cara
Mas preferiu aterrissar girando a saia
mostrando a calcinha
pros passantes.
(Bruna Beber, Dirigível do Amor)
Mais em: 365 Poemas a Um Real

08/03/2011
"Parar, não paro.
Esquecer,
esquecer não esqueço.
Se caráter custa caro,
pago o preço.
Pago, embora seja raro.
Mas homem não tem avesso
e o peso da pedra
eu comparo à força do arremesso.
Um rio, só se for claro.
Correr sim, mas sem tropeço.
Mas se tropeçar não paro,
não paro, nem mereço.
E que ninguém me dê amparo,
nem me pergunte se padeço.
Não sou, nem serei avaro.
Se caráter custa caro,
pago o preço." *
Sidónio Muralha

foto de autor desconhecido
*****
* Um dos poemas preferidos do meu amigo Ivan Canello (foto), que faleceu no dia 4 de março de 2011, aos 32 anos, de parada cardíaca fulminante. Este poema retrata bem o caráter dele, um exemplo a ser seguido.
25/02/2011

16/02/2011
29/03/2007
V: Alberto Giacometti

Nascido na Suíça em 1901, Giacometti começou a pintar em 1913 e a esculpir em 1914. Permaneceu na Ecole des Artes et Metiers em Genebra por um curto espaço de tempo ainda em 1919 e depois mudou-se para a Itália, onde copiava antiguidades e fazia retratos. Foi para Paris em 1922, onde estudou Bourdelle na Academie de las Grande Chaumiere até 1925. Juntou-se a Michel Leiris e Andre Masson em 1928, tornando-se então participante do grupo surrealista de 1930 a 1935. Suas esculturas tiveram grande influência da visão surrealista dos objetos. Em 1932, sua primeira exibição solo aconteceu na Galeria Pierre Cole, em Paris. Depois de romper com o grupo surrealista, manteve estreita amizade com Andre Derain, e não fez nenhuma exibição de 1935 até 1947. Depois da guerra, formou uma associação existencialista e trabalhou com Jean Genet, que mais tarde escreveu L’Atelier de Giacometti (1954). Giacometti pintou e esculpiu, mas após 1956, nunca terminou seus trabalhos. Ganhou o Grande Prêmio da escultura na Bienal de Veneza em 1962. Faleceu em 1966.
IV:Alain Lestié



02/02/2007
III: Andrea de Chirico (ou Alberto Savinio)

Nascido em 1809, Savinio foi irmão de Giorgio de Chirico. Savinio estudou piano e composição no conservatório de Atenas e, mais tarde, sob o tutelado de Max Reger, em Monique. Sua primeira estadia em Paris foi de 1911 a 1915, quando publicou uma coletânia de poemas chamada Les Chants de la Mi-Mort, em 1914. Mudou-se para a Itália e publicou seu primeiro livro, Hermafrodito, em 1918. Continuou a compor músicas para ballet - e seu ballet Perseus foi apresentado na Metropolitan Opera of New York, em 1924. Durante sua segunta passagem por Paris, de 1926 a 1934, começou a pintar. Participou de várias mostras na Itália e fez seus prórpios desins para seu ballet Vita dell’Uomo, apresentado em La Scala, em 1951. Um salão inteiro foi dedicado à sua obra na Bienal de Veneza de 1954.
II: Adrien Dax


01/02/2007
I: Andre Breton

21/11/2006
18/08/2006
Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio. Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca. Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste. Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante. Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento. Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço, Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada. Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância. Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito. E que o teu silêncio me fale cada vez mais. Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
E que minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade, também.

15/03/2006
02/02/2005
12/05/2004
Conto de Fadas
para as mulheres do século 21
"Era uma vez, em uma terra muito distante, uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Deparou-se com um sapo, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago de seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas.
Então, o sapo pulou em seu colo e disse:
- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má me jogou um encanto e eu me tornei esse sapo asqueroso. Um beijo seu, no entanto, há de me transformar de novo em um belo príncipe. Poderemos nos casar e constituir residência em seu lindo castelo. Mamãe poderia vir morar conosco e você poderia preparar meu jantar, lavar minhas roupas, criar meus filhos e seríamos felizes para sempre.
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de sapo à sautée, acompanhadas de cremoso molho acebolado e finíssimo vinho branco, ela riu e pensou consigo mesma:
- Nem morta!"
29/04/2004
Cada lunes
están dispuestos a brindar
con el agua de las alcantarillas
mojar el pan en la salsa
(rebañan toda la sangre del plato)
o comerse el mundo
y preguntar luego.
Se trata de engullir algo
que nunca les perteneció.
Tradução (de Majarti):
Cada Segunda-feira
estão dispostos a brindar
com a água das bocas de lobo
molhar o pão no molho
(tornam a banhar todo o sangre do prato)
ou comer-se o mundo
e perguntar depois.
Trata-se de engolir algo
que nunca pertenceu a eles.
(Carlos Martin Tornero, poeta surrealista Asturiano)











