21/11/2002

Lendo os posts dos meus voyers, descobri dentre eles um que não deseja se identificar (intrigante isso, neste meio...), e, por isso, se intitula "um meu observador".
Muito bem. Esta pessoa fez um comentário interessante acerca do modo como disserto minha vidinha, enquadrando-me no time dos simbolistas. Isso me picou.
Não pela colocação, mas porque ontem, conversando com um amigo sobre meu b log, percebi que estou passando por uma fase de extremo umbiguismo. E, como se não bastasse, fechada num pessimismo, que converge com meu budismo latente, segundo o qual o mundo inteiro é ilusão e dor. E fico assim, rolando um desfile de imagens ocas, miragens do nada. E no meio do chit-chat, me ocorreu um pensamento: "estou muito Pessanha".

.........
Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

(Alphonsus Guimaraens, poeta mineiro, simbolista)
.........
Ter b log é algo engraçado.
Um belo dia, você começa a escrever suas coisinhas, publicar seus sentimentozinhos e pensamentozinhos, e zup! É descoberto por todo um complexo de almas. Um mundo de pessoas que nunca viu pela frente mas que, aos poucos, passam a interagir e acompanhar tudo quanto for escrito.

19/11/2002

ATENÇÃO, AMANTES DOS GATOS:


Visitem o blog-gatil mais politicamente correto do momento - a idéia é excelente:


CAUSA FELINA


E se você aprecia, também, as ars longa, una o útil ao agradável visitando:


O LIVRO DOS GATOS




Cheshire Cat, da obra surrealista Alice in the Wonder Land: o famoso Gato Caçoador.

18/11/2002

Como tudo mais nesse mundo, lá se foram o sol e as cores: acabou-se o efêmero momento de glória.
Ouço as trovoadas, cinza-roxo de novo.
.
À parte isso, dê uma esmiuçada no b log: novidades aí do lado.


Rob Gonsalves - Listening Fields
Aliás, não é só minha soul sister que possui esta incrível habilidade de me fazer cócegas na massa encefálica. Tem também meu virtual fiancée, die Farbigesockefrau*, e até um certo doutor, quando não está muito revoltado...

*Gostou do neologismo germânico, Dea? Adivinha: fui eu que fiz... hehehe...
Esqueci-me de dizer algo:
Dizem que alegria atrai coisas boas, naquele papo de pensamento positivo*. Nunca vi resultados tão rápidos!

*Típico da minha peixinha predileta.
Pausa na correria. Já bati o record de entradas e saídas de casa num único dia - e olha que ele nem acabou...
Para quem mora na região de Campinas: dêem uma olhada pela janela. Já viram tantas cores?
Poisé, o sol está de olhos arregalados hoje. Bem diferente dos últimos dias, em que esteve tímido e choroso.
Claridade a 100%, cores espalhafatosas no jardim, calor irradiado, uma brisa fresquíssima, toda gay*, correndo por aí, fazendo rodopios. E a nuvem de proporções oceânicas que vem chegando a bombordo, anunciando um pé d'agua daqueles. Belíssimo.

*Oi, Dudaaa! Lembrei-me do senhor.

Nota: Fui interrompida no momento em que escrevia este post, com a chegada de uma 'encomenda': sacolinha classuda da Kopenhagen, recheada de bombons de cereja ao marasquino e um simpático cartão de aniversário. Assinado: Deny, Marcelão e Tathy.
Nem preciso dizer que as cores do dia triplicaram...

16/11/2002

Tilím, tilím, tiím... Chuva de dias, que cai ainda hoje. O céu roxo-azulado, um friozinho intradérmico que invade calado e vai arranhar os ossos. E acaba por trazer essa sonolência arrastada, embriaguês, pensamentos vesgos. Nem tristeza, nem euforia, nem 8, 80, -8... Fica no zero, o tempo mudo, passando de olhos fechados e passos largos.
Problemas e esquecimentos. Cinza e branco...
...
Bom. Pelo menos tiro a barriga da miséria, assistindo enlatadinhos norteamericanos - um sonho que vem de longe: assistir seriados confortavelmente instalada no tapete, com minha gata, almofadas só para mim e comendo laranja com sal, que eu adoro. Enfim sós, Kitty... Eita, vida besta deliciosa...

15/11/2002

A PALAVRA DA HORA É
F O D A - S E
Digna de menção honrosa, de efeito anti-asfixiante, salvadora em situações depreciativas ou extenuantes. Merece um hino, uma ode, um poema.

(Pata, essa é tiro e queda. Bote fé...)

14/11/2002

Graça de Apreciar

Não vem com dança sorumbática hipnótica. Não existe caminho ascendente, senão a descida do meu abismo.

. . .

Não posso deixar de entrar com esta observação, aqui: hoje é meu dia de rodar o cronômetro anual. E agradeço a todos os amigos, colegas e conhecidos que lembraram e desejaram felicidades: vocês rechearam este meu dia - e todos os outros, passados e vindouros - com muito prazer e felicidade!

10/11/2002

Para meu querido amigo, em homenagem:

______________________________________Um Beijo

_______________________Um minuto o nosso beijo
______________________Um só minuto; no entanto
_________________________Nesse minuto de beijo
__________________Quantos segundos de espanto!
_________________Quantas mães e esposas loucas
____________________Pelo drama de um momento
_____________________Quantos milhares de bocas
________________________Uivando de sofrimento!
____________________Quantas crianças nascendo
_______________________Para morrer em seguida
_____________________Quanta carne se rompendo
_______________________Quanta morte pela vida!
_____________________Quantos adeuses efêmeros
_______________________Tornados o último adeus
_________________Quantas tíbias, quantos fêmures
_______________________Quanta loucura de Deus!
_____________________Que mundo de mal-amadas
____________________Com as esperanças perdidas
______________________Que cardume de afogadas
________________________Que pomar de suicidas!
__________________Que mar de entranhas correndo
________________________De corpos desfalecidos
___________________Que choque de trens horrendo
______________________Quantos mortos e feridos!
________________________Que dízima de doentes
____________________Recebendo a extrema-unção
______________________Quanto sangue derramado
________________________Dentro do meu coração!
________________________Quanto cadáver sozinho
_______________________Em mesa de necrotério
______________________Quanta morte sem carinho
______________________Quanto canhenho funéreo!
_____________________Que plantel de prisioneiros
_____________________Tendo as unhas arrancadas
_____________________Quantos beijos derradeiros
___________________Quantos mortos nas estradas!
________________________Que safra de uxoricidas
________________________A bala, a punhal, a mão
______________________Quantas mulheres batidas
______________________Quantos dentes pelo chão!
_______________________Que monte de nascituros
__________________________Atirados nos baldios
____________________Quantos fetos nos monturos
______________________Quanta placenta nos rios!
_____________________Quantos mortos pela frente
_______________________Quantos mortos a traição
_____________________Quantos mortos de repente
_____________________Quantos mortos sem razão!
_____________________Quanto câncer sub-reptício
________________________Cujo amanhã será tarde
_______________________Quanta tara, quanto vício
____________________Quanto enfarte do miocárdio
____________________Quanto medo, quanto pranto
____________________Quanta paixão, quanto luto!...
_________________________Tudo isso pelo encanto
______________________Desse beijo de um minuto
__________________Mas que cria em seu transporte
_____________________De um minuto, a eternidade
_______________________E a vida, de tanta morte.


_____________________(Vinícius de Moraes, 18/03/1958)

Vamos, Du, sair correndo por aí, esquecer um pouco o drama humano? Não combina com a nossa pele fina...

09/11/2002

Do fim da insônia:

Não vou mais reclamar de insônia.
Esta noite dormi muito. Dormi e sonhei. Tive um sonho fantástico. Sonhei que era uma entidade indu, e minha pele brilhava, azul-prateada. Tinha correntes de ouro, braceletes, faixas de setim vermelho como roupa. E montava um elefante enorme, igualmente adornado, a cabeça do tamanho de um carro. Corria num corredor largo, atrás de outras entidades, negras, com enormes dentres brancos e bocas vermelhas. Assistindo a perseguissão, Deuses azuis me glorificavam, jogando flores, enquanto, de outro lado, vultos negros cuspiam.
Num dado momento, meu elefante parou de correr. Ele encostou a cabeça no chão, para que eu descesse. Desci e parei frente à frente com as sombras que perseguia.
Arranquei flores de meu colar e joguei sobre elas. Elas permaneceram imóveis, enquanto voltava a montar meu elefante gigantesco. De cima de seu pescoço, via a todos, azuis e negros. Todos passaram a jogar flores e cantar uma melodia, que só poderia vir de um sonho - sublime, em uníssono. Dei meia volta e parti.

Notícias Minhas:

»Fui muito bem na prova de epistemologia. Nem precisei usar os conhecimentos apreendidos no Sumário do Tratado da Natureza Humana (empréstimo de meu caro pocket philosopher): a prova foi - pasme - de múltipla escolha...
»Por falar no pocket philosopher: ele resolveu levar seu ceticismo para passear e foi filosofar no Rio de Janeiro. Ficarei de bolsos vazios até God-knows-when. Pior: sem o amigo-morcego das madrugadas...
»Reta final no mundo acadêmico: este 1º ano já durou o que tinha que durar, eu quero férias.

...

dialética

é claro que a vida é boa
e a alegria, a única indizível emoção
é claro que eu te acho lindo
e em ti bendigo o amor das coisas simples
é claro que te amo
e tenho tudo para ser feliz

mas acontece que sou triste...

(Vinícius de Moraes)


Como havia dito para alguém, um dia desses (e, talvez, plagiando de algum lugar): alguns nasceram para serem felizes. Outros, para pensar.

Penso, logo acinzento...

05/11/2002

a insônia aumentou. passou do nível suportável.
vou ter de procurar ajuda profissional.

04/11/2002

a u t o e s c o l a

l i ç ã o 1
o amor incondicional pelo ser humano é demodê - caiu em desuso já nos tempos de Cristo.
l i ç ã o 2
humildade em excesso é considerada defeito dos mais graves pela sociedade, sobretudo para o humilde.
l i ç ã o 3
cultivar o caos apenas resultará na proliferação do mesmo. e nada além disso.

03/11/2002



Dalí - Spain

31/10/2002

Há cem anos nascia um filho da cidade de Itabira do Mato Dentro, que viria a ser ilustre escritor mineiro. Sua obra colocou uma pedra enigmática no meio do caminho da literatura brasileira, em balanço entre a antipoesia e uma atitude reflexiva diante da "máquina do mundo".
(Ele não pode comemorar seus cem anos, mas nós vamos por aqui, dançando a Quadrilha, in memorian:)

João amava Teresa,
que amava Raimundo,
que amava Maria,
que amava Joaquim,
que amava Lili,
que não amava ninguém.

João foi para o Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se
e Lili casou com J. Pinto Fernandes,
que não tinha entrado na história.
Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado sob a lua. Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura. É o movimento civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e que não carece de suplemento de informação. Livros e papéis, beneficiam-se com a sua presteza austera.
Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual.


Trecho de Perde o gato, de Carlos Drummond de Andrade





30/10/2002

Não sou de criticar, mas não vou resistir a falar do circo Academia.
Nada é mais chinfrim no meu conceito que a ABL, admitindo o falso mago Paulo Coelho. Literatura crasse A, cerimônia cheia de pompa, onde devem ter servido pão com salame e café frio... Aprausos pra eles.
Argumento:Tem quem compre no mundo inteiro.

...
Gripe é fueda.

DescomprimindoMiolos:

"A indecência pode ser normal, saudável.
Na verdade, um pouco de indecência é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.

E um pouco de putaria pode ser normal, saudável.
Na verdade, um pouco de putaria é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.

Mesmo a sodomia pode ser normal, saudável,
desde que haja troca de sentimento verdadeiro.

Mas se alguma delas for para o cérebro, aí se torna perniciosa:
a indecência no cérebro se torna obscena, viciosa,
a putaria no cérebro se torna sifilítica
e a sodomia no cérebro se torna uma missão,
tudo vício, missão, insanamente mórbido.

Do mesmo modo, a castidade na hora própria é normal e bonita.
Mas a castidade no cérebro é vício, perversão.
E a rígida supressão de toda e qualquer indecência, putaria e relações assim
leva direto a furiosa insanidade.
E a quinta geração de puritanos, se não for obscenamente depravada,
é idiota.
Por isso, você tem de escolher."

(D. H. Lawrence, "A Indecência Pode Ser Saudável")

29/10/2002

Apuração:
Lula (PT): 52.793.364 votos (61,27%)
Serra (PSDB): 33.370.739 votos (38,73%)
Brancos: 1.727.760 votos
Nulos: 3.772.138 votos
Total: 91.664.001 votos

O novo presidente da república:



(Programa de Governo)

Nota:

Ele recuperou o sentido da união política, cosendo paixão ideológica às expectativas do eleitorado.
Mas, para governar, vai precisar unir a fé da utopia com a eficiência da técnica - e é aí que entra meu medo...
(Um pequeno avanço, pelo menos, ele já conseguiu: aumentou minha cidadania.)

26/10/2002

- E se eu tomar cafeína pura?
E se eu colocar nos pés um par de tênis e sair correndo, até chegar em Ubatuba?
Não...
- E se você calar a boca?
- É... Vamos boiar e ver onde a maré quer ir, então.

hahaha, só rindo... chega, vai. é surreal, mas também não vamos exagerar...
meus posts estão ficando muito medíocres. infelizmente, tenho de adimitir que apenas refletem a atual mediocridade interior desta que vos escreve. vou dar um tempo de postar.
ou não.
Inferno.
Não há animação que resista a uma densa chuva de verão e à escuridão vermelha de uma sala de revelação - a mistura friozinho + aula de fotografia me smorfinhou...
Entretanto, minhas intensões amebóides logo se renderam à insistência da Triônica Formiga Atômica e fomos, belíssimas, tomar um gorozinho pós facu num novo barzinho (perdi o debate - alguém poderia me contar como foi (por favor, sem matizar), de preferência ainda hoje?).
Chego em casa e pow! Insônia.
Mas nada que um pocket philosopher não ajude a fazer render em horas de agradável coca-cola. Se continuarmos assim, vamos ter que aprender a jogar gamão. Stilnox neles!...

...

Bege demais. Morno demais. Andante demais. E tem uma cal secando meu suco, que eu não consigo descobrir de onde vem.
Tá faltando alguma coisa.

24/10/2002

Hoje é dia de chibata nas costas no mundo acadêmico, com 2 trabalhos de antropologia e uma provinha 'básica' de epistemologia. Nem toquei nos trabalhos, estou gastando todo meu atp com a prova. Portanto, apesar da enorme vontade de fugir tresloucada pelo mundo em repúdio à David Hume (vê-se que hoje não estou com tanto atp assim...), vou tapar o nariz e mergulhar no ceticismo, empirismo e tals.

Nota: agradeço ao simpático pocket philosopher, que muito auxiliou em meu desenvolvimento metafísico, emprestando o Sumário do Tratado da Natureza Humana. Se algum dia precisar de algo, tamos aí, Alex (é outro, viu Alex? Não é o senhor, é outro - antes que pergunte). Bah, deixa eu ir estudar...

23/10/2002

Tem gente nova no país das maravilhas: a Dea tá di blogutcho novo! Confiram notícias alemãs fresquinhas - e as "meias multicolor modelo luva" (minha parte preferida!)...
Creio que a preguiça dobre a criatividade, devido à característica nefelibata do sibarismo...
Soma o grogue do sono com a incapacidade de pegar o carro e ir pro banco, pagar conta...
Não falta vontade de chutar tudo pro espaço e ir pra o espaço, também...

...

Três pontinhos é o must do saco cheio, o point break do hedonismo...
Agora chega...
Té mais...
... ... ... ... ...



Rob Gonsalves, Making Waves

11/10/2002

Gato Incomoda a Quem?

Inde... pendencia alguma
ir e vir em mundo-espaço-livre.
Incomodo dominadores
intrigo desconfiados.
Vou quando quero,
fico quando vou.
Sou quando quero, sei o que quero.
No desejo venho
em silencio, te observo.
Minha contemplação... preguiça?
Meu enigma... falsidade?
Quantas farsas suas, tantos medos,
espelhas em meus pelos
enquanto me alongo e pulo
pra fora do seu domínio!
Controlador, indeciso,
medroso, covarde.
Homo prepotente com cheiro de rato!

Angela Schnoor


(From the Cheshire Cat to you. Magnificent...)


Feel my heart with song, and let me sing forever more... Ná, nánánánáá, nánánánááá, náná nánááá...



Marc Chagall, Birthday