15/12/2002

E s p l a n c n o t o m i a 2

Provisoriamente cantamos o amor, que aflorou a despeito das flores amarelas.
Cantamos sem temor, reciclado na memória.
Cantamos a paixão por tudo o que existe - fogo vivo, mãe constituinte.
O amor grande pelos sertões, pelos mares, pelos céus.
O amor das crianças, dos pais, dos velhos.
Cantamos o amor dos amantes, dos cidadãos, pela vida e além-vida.
Morremos de amor e, sobre nossos túmulos, pairarão borboletas.


Rodney Mathews - Grifo, Alice e a Tartaruga Falsa: Quadrilha de Lagostas. Baseado em Alice no País das Maravilhas.
Não considero ninguém neste mundo totalmente ignorante.
Não deixo de expressar meus conhecimentos, sentimentos e dúvidas, nem defendo o ignorantismo.
Por mais simples que a pessoas possam ser, sempre dominarão temas por mim nunca antes navegados.
Daí minha profunda paixão pelo que é humano (mesmo que, às vezes, tenda ao desumano).
Não sei catar caranguejo, nem nenhuma técnica para melhor fazê-lo.
Não sei a correspondência entre quilômetros por hora e nós.
Não sei falar nortúmbrio - nem nunca ouvi alguém falar.
Não sou filósofa. Estou mais para nefelibata.
Mas admiro a filosofia, a literatura, a música, e tudo que encha o espírito de alma.

Vai que, de uns tempos para cá, dei de treinar para cirenaísta. De déu, em déu, mas sempre tentando. E parando para contar uma coisinha ou outra aqui. Mas esqueci de esclarecer aos leitores o que vem a ser o cirenaísmo. E só dei conta disso agora.
Portanto, é com orgulho que venho falar...

Do cirenaísmo desta Lebre de Março

"Todos buscam o prazer e fogem da dor."


Esta é a base da doutrina filosófica da escola cirenaica (século V a.C.), cujo fundador, Aristipo de Cirene (daí o nome), foi discípulo de Sócrates e de seus seguidores, e tinha como tema central o hedonismo.
Aristipo destacou alguns aspectos subjetivos da sensação e dos estados psíquicos resultantes.
Distingue a afecção, que é o estado psíquico resultante, e a coisa que produz a afecção.
O que nós conhecemos são as modificações destas afecções, e não aquilo que está fora de nós, apesar de neste exterior encontrar-se a causa. Mas o que importa são as afecções (isso lembra Protágoras, que faz ao homem ser a medida de todas as coisas).
Trocando em miúdos: certa vez, Aristipo disse a seus discípulos: "Dizem que as sensações são conhecidas claramente e somente elas, porquanto não o são suas causas. Não se ocupam, pois, das coisas físicas, por serem incompreensíveis."
E nesta observação dos estados psíquicos, admiravelmente chegaram a advertências sábias sobre como adequadamente viver, para que se extraia o máximo possível de prazer da vida.

Observação: Este monte de frases soltas desconexas são, sim, frases soltas desconexas. Não me demorei neste post, apenas despejei pensamentos, à medida que chegaram. Vejam: estou indo além do cirenaísmo!

14/12/2002

Pensamento anti-cirenaísta da noite:

"O futuro nem chegou e já me afogou. Estou à deriva num mar seco."


Tsc, tsc, tsc... Danou-se.
Alguém me amarre no mastro, por favor.

11/12/2002

E s p l a n c n o t o m i a

Provisoriamente não cantamos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantamos o temor, que esteriliza os abraços.
Não cantamos o ódio, pois que esse não existe - existe apenas o medo, nosso pai e companheiro.
O medo grande das liças, dos mares, dos desertos.
O medo dos soldados, das mães, das carolas.
Cantamos o medo dos ditadores, dos democratas, da morte, e do depois da morte.
Morreremos de medo e, sobre nossos túmulos, nascerão flores amarelas.

10/12/2002

Tou numa boa, caro observador.
Não estou inspirada para a escrita, mas a votação continua aí embaixo.
Se soubesse como fazer, colocava uma musiquinha de elevador para ouvirem.
Como não sei, vai um agrado visual, mesmo.



Rodney Mathews- Corrida de Tohu-Bohu. Baseado em Alice no País das Maravilhas.

08/12/2002

Caríssimo público legente:

Atendendo aos pedidos de uma grande amiga, faço uma enquete.
Queiram, por favor, responder.
Cordialissimamente,

A Editora


- E N Q U E T E -


Quais dos seguintes nomes ficariam bem num site literário e (quase) autobiográfico de crônicas, segredos e desabafos femininos?


1 - Verdades Femininas


2 - Negativas Femininas


3 - Complicada, Eu??


4 - O Inferno São Elas


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06/12/2002

Pensamento cirenaísta da noite:

"Por mais doce e lânguido que seja o dia...

...sempre haverá um amanhã onde poderei comer pinhões cozidos e tâmaras açucaradas."


Estou com uma vontade louca de comer pinhões.
Meu reino por um balde de pinhões cozidos com sal.
Amanhã mesmo corro ao Carrefour de Natal mais próximo e compro, juntamente com um pacote de tâmaras bem pretinhas.

05/12/2002

Pessoas:

Finalmente, sou uma verdadeira cirenaísta.
Um mês tentando, achando que era impossível, mas consegui.
Graças ao fim das provas semestrais, alcancei a perfeição.
Portanto, nada de post hoje.
Quem sabe amanhã.

Ou não.

03/12/2002



" C l i q u e - m e "
Mandriice pouca é bobagem. Unindo o útil ao agradável e atendendo a pedidos, hoje serei de pouco falar e muito mostrar.

Surrealismo na Publicidade




Propaganda em prol do uso de preservativos, com o slogan 'PROTEJA-SE' - agência Salles D`Arcy.



Anúncio da Honda, com o slogan 'Até a sua cama está dizendo para você tomar um banho de rio.' - agência Almap BBDO.



Anúncio do jornal Notícias Populares, com o slogan 'Notícias Populares, 1943 - 2001' - agência Loducca.

E para fechar:



Anúncio da ANJ (Associação Nacional de Jornais), numa alusão direta ao surrealismo, com parte do rosto de Salvador Dalí e o slogan 'Jornal. Faz de você uma pessoa muito mais interessante.' - agência Young & Rubicam Brasil.

30/11/2002

A volta do surrealismo

No Brasil dos anos 20 e 60, marcado por ditaduras, o Surrealismo permaneceu no obscurantismo, quase que unicamente como técnica artística. Mas ocorreu.
Atualmente, a indústria cultural de todo o mundo vem absorvendo obsessivamente elementos do sonho, do inconsciente e da fragmentação - denúncia da retomada do movimento. A propaganda é um dos veículos que mais vêm aderindo aos conceitos surrealistas, utilizando imagens do inconsciente coletivo como forma de atingir o grande público , através dos diversos meios de comunicação, sobretudo os MCM (Meios de Comunicação em Massa).
Abaixo, exemplos de anúncios surrealistas.



Anúncio da Renault, com o slogan 'O carro de quem faz a moda' - agência Master.



Anúncio do S.O.S Mata Atlântica, com o slogan 'Eu vi as árvores que você cortou' - agência Age.




O cartaz londrino, com olhos onipresentes e o slogan que diz algo como 'Segurança graças aos Olhos Vigilantes', tem a intenção de propagandear mais segurança, numa alusão ao 1984, de George Orwell.
múltiplapersonalidade

- Por que você não ligou de volta?
- Sei lá...
- Coitado!
- É melhor assim, ele tem de se livrar dos laços.
- Vai jogar tudo pela janela?
- Não. Só quero que ele jogue.
- Ele vai jogar, sim... Da janela do 10º andar!
- Cala essa sua boca!
ASAULASESTÃOACABANDOA-ÊÊÊ !

Falta pouco, Alice, falta só encolher, para passar na porta... E logo chegaremos ao lindo jardim.
Simple like that.

29/11/2002

Esplim

Ele anda à espreita.
E eu na boca da toca, pronta para entrar. De medo.
Esta é uma perseguição que, parece, nunca terá fim.
E agora? Cavo fundo?
E x i s t e S e m p r e

U m a P á A o V e n t o

N a s A r e i a s D o S o n h o


A n d r é B r e t o n*




*Breton: pai e fundador do movimento Surrealista, autor do Manifesto do Surrealismo. Sua alucinada abordagem da poesia surgiu como uma reação contra as acomodadas convenções literárias de Paris, nos anos 20. Breton e seus amigos pretendiam transformar o caos e a desordem em formas de expressão.
Conseguiram.

24/11/2002

Coloco isso aqui para que me lembre mais tarde, quando o tempo nublar, de que devo dar mais valor para a simplicidade.
Os pensamentos complexos são frustrantes à medida em que trazem dúvidas. E, com as dúvidas, as preocupações. As coisas simples não: elas trazem as respostas nelas mesmas. Felicidade é simplicidade.
Os índios tem por base a simplicidade e encontram a alegria da vida. E nesta vida existem apenas duas coisinhas que devemos ter sempre em mente:

1º: Não devemos nos preocupar com coisas pequenas.

2º: Tudo é pequeno.

Agora chega de postar. Tenho que ir ali, tomar um suco de acerola, jogar conversa fora, que hoje é domingo.

23/11/2002

Estou só de passagem.
Passei para deixar um beijo nos amigos.
E um beijo nos colegas, e conhecidos.
E um beijo nos que cegam em arrogância.
Um ósculo nos que têm sua dó de si mesmos.
Aquele abraço apertado naqueles que permanecem em resignação, camuflados sob sorrisos falso, que não podem ser desmascarados, pois que isso significaria desmascarar a própria imagem falsa refletida.
Um beijão nas pessoas que não gostam de se olhar no espelho, nem de falar sozinhas.
Naquelas que perguntam quem são, e para onde estão indo.
Enfim, um beijo em cada espinho, ainda que signifiquem a impossibilidade de perceber na rosa também o perfume.
Estou só passando, já que nada fica, além do que queremos ver ficando.
Cris

22/11/2002

Descobri o poço das danaides da alegria: o CD Alma Caribeña, de Gloria Estefan.



Diego Rivera, Baile En Tehauntepec
(Faço uma comparação da importância cultural do movimento muralista mexicano - criado por Rivera, José Clemente Orosco e David Alfaros Siquieros - com o modernismo brasileiro de Semana da Arte Moderna. Assim como nossos modernistas, Rivera lutou pelo resgate da raiz cultural de sua gente, e pela popularização da arte, como bem de todos.)

21/11/2002

Que piada...
Eu, que queria me jogar de cabeça no cirenaísmo de Aristipo, me vejo agora forçada a dissecar o positivismo de Comte...
QUERO FÉRIAS J Á !
E por falar em epistemologia, deixo aqui meu 'oi' para o querido pocket philosopher, que, não contente com o calor humano e boa-vida cariocas, foi parar no Maranhão, tomar um cocktail de filosofia com duas doses de Alca. Coraaaagem! O que mais poderia se esperar de um filósofo?! Quando o senhor voltar, há de encontrar-me como um protótipo de hedonista, munida de Daikiris, cigarros de cravo e, se tudo correr bem, muita areia no biquini! Piada...
Lendo os posts dos meus voyers, descobri dentre eles um que não deseja se identificar (intrigante isso, neste meio...), e, por isso, se intitula "um meu observador".
Muito bem. Esta pessoa fez um comentário interessante acerca do modo como disserto minha vidinha, enquadrando-me no time dos simbolistas. Isso me picou.
Não pela colocação, mas porque ontem, conversando com um amigo sobre meu b log, percebi que estou passando por uma fase de extremo umbiguismo. E, como se não bastasse, fechada num pessimismo, que converge com meu budismo latente, segundo o qual o mundo inteiro é ilusão e dor. E fico assim, rolando um desfile de imagens ocas, miragens do nada. E no meio do chit-chat, me ocorreu um pensamento: "estou muito Pessanha".

.........
Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

(Alphonsus Guimaraens, poeta mineiro, simbolista)
.........
Ter b log é algo engraçado.
Um belo dia, você começa a escrever suas coisinhas, publicar seus sentimentozinhos e pensamentozinhos, e zup! É descoberto por todo um complexo de almas. Um mundo de pessoas que nunca viu pela frente mas que, aos poucos, passam a interagir e acompanhar tudo quanto for escrito.

19/11/2002

ATENÇÃO, AMANTES DOS GATOS:


Visitem o blog-gatil mais politicamente correto do momento - a idéia é excelente:


CAUSA FELINA


E se você aprecia, também, as ars longa, una o útil ao agradável visitando:


O LIVRO DOS GATOS




Cheshire Cat, da obra surrealista Alice in the Wonder Land: o famoso Gato Caçoador.

18/11/2002

Como tudo mais nesse mundo, lá se foram o sol e as cores: acabou-se o efêmero momento de glória.
Ouço as trovoadas, cinza-roxo de novo.
.
À parte isso, dê uma esmiuçada no b log: novidades aí do lado.


Rob Gonsalves - Listening Fields
Aliás, não é só minha soul sister que possui esta incrível habilidade de me fazer cócegas na massa encefálica. Tem também meu virtual fiancée, die Farbigesockefrau*, e até um certo doutor, quando não está muito revoltado...

*Gostou do neologismo germânico, Dea? Adivinha: fui eu que fiz... hehehe...
Esqueci-me de dizer algo:
Dizem que alegria atrai coisas boas, naquele papo de pensamento positivo*. Nunca vi resultados tão rápidos!

*Típico da minha peixinha predileta.
Pausa na correria. Já bati o record de entradas e saídas de casa num único dia - e olha que ele nem acabou...
Para quem mora na região de Campinas: dêem uma olhada pela janela. Já viram tantas cores?
Poisé, o sol está de olhos arregalados hoje. Bem diferente dos últimos dias, em que esteve tímido e choroso.
Claridade a 100%, cores espalhafatosas no jardim, calor irradiado, uma brisa fresquíssima, toda gay*, correndo por aí, fazendo rodopios. E a nuvem de proporções oceânicas que vem chegando a bombordo, anunciando um pé d'agua daqueles. Belíssimo.

*Oi, Dudaaa! Lembrei-me do senhor.

Nota: Fui interrompida no momento em que escrevia este post, com a chegada de uma 'encomenda': sacolinha classuda da Kopenhagen, recheada de bombons de cereja ao marasquino e um simpático cartão de aniversário. Assinado: Deny, Marcelão e Tathy.
Nem preciso dizer que as cores do dia triplicaram...

16/11/2002

Tilím, tilím, tiím... Chuva de dias, que cai ainda hoje. O céu roxo-azulado, um friozinho intradérmico que invade calado e vai arranhar os ossos. E acaba por trazer essa sonolência arrastada, embriaguês, pensamentos vesgos. Nem tristeza, nem euforia, nem 8, 80, -8... Fica no zero, o tempo mudo, passando de olhos fechados e passos largos.
Problemas e esquecimentos. Cinza e branco...
...
Bom. Pelo menos tiro a barriga da miséria, assistindo enlatadinhos norteamericanos - um sonho que vem de longe: assistir seriados confortavelmente instalada no tapete, com minha gata, almofadas só para mim e comendo laranja com sal, que eu adoro. Enfim sós, Kitty... Eita, vida besta deliciosa...

15/11/2002

A PALAVRA DA HORA É
F O D A - S E
Digna de menção honrosa, de efeito anti-asfixiante, salvadora em situações depreciativas ou extenuantes. Merece um hino, uma ode, um poema.

(Pata, essa é tiro e queda. Bote fé...)