25/07/2003

O V e l h o S o f i s t a

Sentarei em meu sólio,
solinharei as estruturas vigentes
e imporei meu solipsismo.
Depois, permanecerei solitário,
balbuciando meu solilóquio.

Solitária é a sina dos ditadores solertes.

.

Em tempo:

"Se, a longo prazo, somos os criadores do nosso destino, de imediato somos escravos das idéias que criamos."

Friedrich A. Hayek


..


Sugestão: coletânia de poesias, leituras, manifestos e entrevistas com os grandes surrealistas:



Surrealism Reviewed 1929-1963

Tracklist:

01 TANGO ARGENTINOS Un Chien Andalou (1928)
02 HERBERT READ The Surrealist Object (1937)
03 MARCEL DUCHAMP The Creative Act (1957)
04 JEAN COCTEAU La Toison D'Or (1929)
05 MAX ERNST Interview (1960s)
06 TRISTAN TZARA Dada Into Surrealism (1959)
07 PHILIPPE SOUPAULT Interview (1959)
08 SALVADOR DALI Interview (1963)
09 MAN RAY Interview (n.d.)
10 LEE MILLER/ROLAND PENROSE Interview (1946)
11 ROBERT DESNOS Description of A Dream (1938)
12 ANDRE BRETON Interview (1950)
13 ANDRE BRETON L'Union Libre (n.d.)
14 LOUIS ARAGON Interview (1963)
15 ANTONIN ARTEAUD Alienation Et Magie Noire (1947)

24/07/2003

E s p l a n c n o t o m i a

(Série de três poesias da Lebre, baseadas no poema Congresso Internacional do Medo, de Carlos Drummond de Andrade)

E s p l a n c n o t o m i a 1


Provisoriamente não cantamos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantamos o temor, que esteriliza os abraços.
Não cantamos o ódio, pois que esse não existe - existe apenas o medo, nosso pai e companheiro.
O medo grande das liças, dos mares, dos desertos.
O medo dos soldados, das mães, das carolas.
Cantamos o medo dos ditadores, dos democratas, da morte, e do depois da morte.
Morreremos de medo e, sobre nossos túmulos, nascerão flores amarelas.

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E s p l a n c n o t o m i a 2


Provisoriamente cantamos o amor, que aflorou a despeito das flores amarelas.
Cantamos sem temor, reciclado na memória.
Cantamos a paixão por tudo o que existe - fogo vivo, mãe constituinte.
O amor grande pelos sertões, pelos mares, pelos céus.
O amor das crianças, dos pais, dos velhos.
Cantamos o amor dos amantes, dos cidadãos, pela vida e além-vida.
Morremos de amor e, sobre nossos túmulos, pairarão borboletas.

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E s p l a n c n o t o m i a 3


Provisoriamente cantamos o silêncio, que pairou com as borboletas.
Não cantamos ilusão, discorrendo a memória.
Cantamos o silêncio que engole o que existe - sério, sério, sério.
O silêncio grande pelos campos, pelos desertos, pelos espaços.
O silêncio das pessoas, dos deuses, dos mistérios.
Cantamos o silêncio dos pobres, dos tristes, da existência e da não-existência.
Morremos aos poucos e, sobre nossos túmulos, haverá silêncio, nada mais.

18/07/2003

Beleza pura: passei no teste de qualidade do Quevedo


aqui tem Um Dedo do Quevedo...

14/07/2003

Smiling with the Cheshire Cat

Bzzz

- Insetos voam em giros e zigue-zagues tão loucos. Fico imaginando porquê não enjoam e vomitam.
- Talvez eles o façam.
- Argh, nojento! Ha ha ha! Mas então por que continuariam voando desse jeito?
- Talvez insetos gostem de vomitar!
- Aaaargh! Eles gostariam!! Ha ha ha ha! Bargh! Eu lhe digo, Hobbes, é ótimo ter um amigo que aprecia uma séria discussão de idéias.


(Calvin & Hobbes, Bill Watterson)

07/07/2003

Linkaram o Surrealismo Dos Atos:

§ André Felipe Ribeiro - publicidade & afins;
§ Ministério do Caos, da Cris Fernandes - imperdível;
§ Postal, da Cris Carriconde - irmã da Lebre, de acordo com o Chapeleiro...;
§ Supply, do Humberto - infelizmente, parece que ele abandonou sua própria causa, recentemente;
§ Versamentos, da Andréa - a Lebre lê tomando chá, obviamente.

Linkado pelo Surrealismo Dos Atos:

§ RITS - Rede de Informações do Terceiro Setor - fique por dentro ds acontecimentos no terceiro setor.
Smiling with the Cheshire Cat

Brlrlrlrlrlr !!

Rapaz, não há nada pior que um agouro inescrutável.


(Calvin & Hobbes, Bill Watterson)

04/07/2003

paella

§ Estou aqui com uma baciona de pinhões cozidos. Veja que coisa súlica e inverneira.

§ É pinhão, sim sinhô. Aquela coisa que aquele passarinho pega não-sei-como e enterra não-sei-onde. Bom, como diria o saudoso Chacrinha, eu não estou aqui para explicar. Estou aqui para confundir

§ E quem já não quis ser Chacrete na infância? Você aí, leitora mais nova, bico calado: estou falando com minhas contemporâneas setentíceas. Conheço até homens que, atualmente, confessam ter tido vontade de ser Chacrete.

§ Quem vê as filmagens das moçoilas hoje nem imagina o sucesso que eram, levemente barangas que eram. Mas era empolgante ver o rebolado ouvindo ao wacca-wacca das guitarrinhas setentícias - e aquelas roupas bregas combinavam perfeitamente. Tinha aquela que fez sucesso e entrou para a história chacrídica, a Não-Sei-Quê Cadillac. Famosa, a tal Não-Sei-Quê Cadillac, quem não lembra dela?

§ Eu tenho um tio que é apaixonado pela Não-Sei-Quê Cadillac. Adoraaava a chacrete. Tinha fotos de Não-Sei-Quê Cadillac em todas as paredes, no teto, no chão. Não-Sei-Quê Cadillac pelada, com roupa, de terno, de escafandro, de tudo-quanto-há possível de Não-Sei-Quê Cadillac. Esse meu tio é hippie até hoje, acredita?

§ Esse meu tio é o feliz possuidor de uma bicicleta modelo 1970 roxa, com buzina de apertar, penduricalhos no guidóm e rádio de carro embutido embaixo do banco - parece uma Harley Davidson humilde. Ele que é feliz. Já foi até a Bahia com a bicicleta (mora no sul de minas).

§ Eu não minto! Meu tio diz que também não mente. Explicaria muita coisa saber se maluquice vem no DNA.
É. Talvez seja esse o meu problema: o maldito DNA.

§ Esse meu amigo diz que talvez eu devesse seguir o exemplo de titio e rodar o mundo numa bicicleta, assim iria acabar descobrindo o que quero. O único inconveniente é que titio não descobriu o que quer até hoje. E olha que já está com 70-e-lá-vai-pedrada. Inferno. Pelo menos é magricelo.

§ Jurei que vou parar de fumar aos 30 anos. Que São Judas Tadeu me ajude.

§ Também jurei que ia entrar na natação, pois adoro ficar de molho. Falhô, São Judas me deu as costas.

§ Por que será que conversa de bar sempre começa com frugalidades e termina com salvar-o-mundo? Minto: nem sempre termina nisso. Na verdade, às vezes nem começa. Depende da companhia. E do lugar, também.

§ Dependendo da companhia, pode ser um monólogo e não uma conversa. E isso é boring. Em outros casos, dependendo do lugar, a conversa termina em briga, em beijo ou em salvar-o-mundo/ artes. Salvar-o-mundo ou artes, de maneira geral, quase sempre ocorrem em algum boteco de Barão Geraldo e adjacências. Estatísticas.

§ Por falar em amiguinhos, domingo tem peça do Badaró no Centro Cultural Evolução, em Campinas, não percam. A peça: 'Ensaios Cênicos Sobre o Amor'. Eu estarei lá com a bolsa cheia de perauvamaçã (essa é pra você, Orley!) e ovo, para tacar nele caso ele falhe ou caso eu não dê risada. Vou lá exclusivamente para dar risada, heim, bom...

§ Eu nasci para dar risada, com minha cara de descanso. E sou palhaça. Devia seguir carreira, abandonar tudo e ser palhaça. Meu sonho é ser Doutora da Alegria. Já te contei isso? Pois é, é verdade. Vida sem riso não é vida; é girar em falso, já diria o parafuso espanado.

§ Isso me lembra quando eu era criança pequena lá em Catmandu. Foi assim: tudo começou com um grande BUM! que foi chamado, posteriormente, 'The Big Bang', ou 'O Grande Bum', para os mais simplórios. No sétimo dia ele descansou e criou eu, com cara de descanso, juntamente com as flores de março (mas isso não foi em março, foi em novembro). Chega por hoje.