10/06/2003

Vi, nos olhos do gato, a sua ira.
Crispadas,
suas mãos promoviam o paradoxo do afago.
Retesados, os músculos do felino
pronto para a fuga
denunciavam seu ânimo.

Como o bicho, submeti-me às suas garras,
submisso que sou, por livre vontade,
para meu gozo perigoso, aos seus desejos.

Vejo o seu sorriso vitorioso.
Compraz-me saber que, derrotado,
terei em troca o prazer:
prêmio de consolação,
mais valioso que o do orgulho da vitória.

Prefiro o seu carinho à glória e o seu amuo.
Rendo-me e rio,
um riso íntimo e silencioso
que a expressão não denuncie.

(Rendição, Fred Matos)



(In the Cat's Mouth, Pangorda)

Nenhum comentário: