O meu problema, o meu maior problema dentre meus inúmeros problemas, é nunca fazer as coisas com começo, meio e fim. Talvez porque não saiba realmente quando é o começo, o que é o meio e do que se trata um fim. Talvez por isso esse blog tenha virado essa palhaçada.
02/02/2005
12/05/2004
Olha aí que maravilha: texto do delicioso Café com Leite (da Tati).
Conto de Fadas
para as mulheres do século 21
"Era uma vez, em uma terra muito distante, uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Deparou-se com um sapo, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago de seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas.
Então, o sapo pulou em seu colo e disse:
- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má me jogou um encanto e eu me tornei esse sapo asqueroso. Um beijo seu, no entanto, há de me transformar de novo em um belo príncipe. Poderemos nos casar e constituir residência em seu lindo castelo. Mamãe poderia vir morar conosco e você poderia preparar meu jantar, lavar minhas roupas, criar meus filhos e seríamos felizes para sempre.
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de sapo à sautée, acompanhadas de cremoso molho acebolado e finíssimo vinho branco, ela riu e pensou consigo mesma:
- Nem morta!"
Conto de Fadas
para as mulheres do século 21
"Era uma vez, em uma terra muito distante, uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Deparou-se com um sapo, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago de seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas.
Então, o sapo pulou em seu colo e disse:
- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má me jogou um encanto e eu me tornei esse sapo asqueroso. Um beijo seu, no entanto, há de me transformar de novo em um belo príncipe. Poderemos nos casar e constituir residência em seu lindo castelo. Mamãe poderia vir morar conosco e você poderia preparar meu jantar, lavar minhas roupas, criar meus filhos e seríamos felizes para sempre.
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de sapo à sautée, acompanhadas de cremoso molho acebolado e finíssimo vinho branco, ela riu e pensou consigo mesma:
- Nem morta!"
29/04/2004
DISPEPSIA
Cada lunes
están dispuestos a brindar
con el agua de las alcantarillas
mojar el pan en la salsa
(rebañan toda la sangre del plato)
o comerse el mundo
y preguntar luego.
Se trata de engullir algo
que nunca les perteneció.
Tradução (de Majarti):
Cada Segunda-feira
estão dispostos a brindar
com a água das bocas de lobo
molhar o pão no molho
(tornam a banhar todo o sangre do prato)
ou comer-se o mundo
e perguntar depois.
Trata-se de engolir algo
que nunca pertenceu a eles.
(Carlos Martin Tornero, poeta surrealista Asturiano)

Loli Peñil - Poema "Collage"
Cada lunes
están dispuestos a brindar
con el agua de las alcantarillas
mojar el pan en la salsa
(rebañan toda la sangre del plato)
o comerse el mundo
y preguntar luego.
Se trata de engullir algo
que nunca les perteneció.
Tradução (de Majarti):
Cada Segunda-feira
estão dispostos a brindar
com a água das bocas de lobo
molhar o pão no molho
(tornam a banhar todo o sangre do prato)
ou comer-se o mundo
e perguntar depois.
Trata-se de engolir algo
que nunca pertenceu a eles.
(Carlos Martin Tornero, poeta surrealista Asturiano)

22/04/2004
MARIA VAI COM AS OUTRAS
Peguei da Olabáuti (que ressucitou no Mundo Podre), que pegou no Sopa de Mim, que pegou da Fal (do Drops da Fal), que pegou da Mel (do Acontecível), que pegou da Dani (do Mad Tea Party), que pegou do Delfin (o do DelRey):
Instruções:
1. Pegue o livro mais próximo de você;
2. Abra o livro na página 23;
3. Ache a quinta frase;
4. Poste o texto em seu blog junto com estas instruções.
E deu isso:
"Aboliu o controle estatal."
Do livro Novo Manual Nova Cultura de História do Brasil, do meu antigo professor de história do 1º grau, excelentíssimo Clarence José de Matos e seu comparsa de livro, o Cesar A. Nunes (porque meu PC está ao lado da biblioteca).
Peguei da Olabáuti (que ressucitou no Mundo Podre), que pegou no Sopa de Mim, que pegou da Fal (do Drops da Fal), que pegou da Mel (do Acontecível), que pegou da Dani (do Mad Tea Party), que pegou do Delfin (o do DelRey):
Instruções:
1. Pegue o livro mais próximo de você;
2. Abra o livro na página 23;
3. Ache a quinta frase;
4. Poste o texto em seu blog junto com estas instruções.
E deu isso:
"Aboliu o controle estatal."
Do livro Novo Manual Nova Cultura de História do Brasil, do meu antigo professor de história do 1º grau, excelentíssimo Clarence José de Matos e seu comparsa de livro, o Cesar A. Nunes (porque meu PC está ao lado da biblioteca).
15/04/2004
Eu planejava deixar este blog mofar às moscas, mas, às 3h27 da matina, precisei transcrever estes escritos que me fizeram mijar nas calças. Apresento-lhes Rafael, o regido pelas Leis de Murphy:
"Lei de Murphy n º 281: Seu desodorante roll-on vai sair roll-ando
Da última vez que fui comprar desodorante, só tinha daqueles, tipo roll-on. Para mulheres aquilo é fácil, passou tá valendo. Para homens, ou pelo menos para aqueles que não depilam as axilas, um desodorante roll-on pode representar alguns riscos. Logo na primeira passada alguns cabelos debaixo do meu braço ficaram presos naquela maldita bolinha. É, não foi legal ficar com um potinho preso no sovaco. Mas depois me acostumei. Até que notei que não estava mais saindo o desodorante. Agitei, sacudi e nada. Resolvi dar umas batidas. Nada. Peguei o frasco e dei com ele na parede. A bolinha do roll-on caiu, o resto do desodorante foi-se ao chão. Olhando pelo lado bom, meu assoalho agora está anti-transpirante. Já eu fiquei bem puto da vida, e decidi que roll-on nunca mais. Prefiro a inhaca."
"Lei de Murphy n º 281: Seu desodorante roll-on vai sair roll-ando
Da última vez que fui comprar desodorante, só tinha daqueles, tipo roll-on. Para mulheres aquilo é fácil, passou tá valendo. Para homens, ou pelo menos para aqueles que não depilam as axilas, um desodorante roll-on pode representar alguns riscos. Logo na primeira passada alguns cabelos debaixo do meu braço ficaram presos naquela maldita bolinha. É, não foi legal ficar com um potinho preso no sovaco. Mas depois me acostumei. Até que notei que não estava mais saindo o desodorante. Agitei, sacudi e nada. Resolvi dar umas batidas. Nada. Peguei o frasco e dei com ele na parede. A bolinha do roll-on caiu, o resto do desodorante foi-se ao chão. Olhando pelo lado bom, meu assoalho agora está anti-transpirante. Já eu fiquei bem puto da vida, e decidi que roll-on nunca mais. Prefiro a inhaca."
30/03/2004
SURREALISMO VIVO I
Agradeço:
§ Eduardo Dutra, pelo poema Sonho:
Céu
Safira celeste
Abóbada mecânica
Sol ouro incandescente
Lua, gelo de prata iluminada
O ar agitado como as marés
Campo
Carpete verde
Esmeralda
As árvores Isoladas
Marrons e verdes
Vítreas, resplandecentes
As frutas de ágata
O gosto de um êxtase
Adormecido na polpa
Mais adiante
O rio de cromo
Fulgurante
Fluindo,colidindo
Contra as pedras
Desembocando na catarata
Tilintando o som que nunca termina.
§ Gutierrez Escudero, do Grupo Surrealista de Cantabria - España, pelas belas palavras. Aproveito para divulgar a nova página do grupo na Web: Movimiento Surrealista En Cantabria
Agradeço:
§ Eduardo Dutra, pelo poema Sonho:
Céu
Safira celeste
Abóbada mecânica
Sol ouro incandescente
Lua, gelo de prata iluminada
O ar agitado como as marés
Campo
Carpete verde
Esmeralda
As árvores Isoladas
Marrons e verdes
Vítreas, resplandecentes
As frutas de ágata
O gosto de um êxtase
Adormecido na polpa
Mais adiante
O rio de cromo
Fulgurante
Fluindo,colidindo
Contra as pedras
Desembocando na catarata
Tilintando o som que nunca termina.
§ Gutierrez Escudero, do Grupo Surrealista de Cantabria - España, pelas belas palavras. Aproveito para divulgar a nova página do grupo na Web: Movimiento Surrealista En Cantabria
23/03/2004
fugit irreparabile tempus
Conheceram-se ao acaso, num desses acasos que a Internet propicia.
Em pouco tempo tornaram-se bem próximos.
Não a proximidade de apaixonados virtuais, mas sim aquela mais palpável, a proximidade da amizade.
Ele era o tipo que gostava de falar e ela de ouvir.
Ele angustiado, ela tranquilizadora.
Algumas vezes, trocavam de lugar - era ele quem ouvia as angústias dela e, assim, sentiam-se mais e mais unidos.
Chegou, enfim, o dia de concretizarem a amizade, encontrando-se fora do mundo virtual.
Como esperado, sentiram, no abraço que trocaram, como se há muito se conhecessem.
Ela tinha tanto a lhe dizer, tantas coisas a contar, mas notou que aquele era um de seus dias ruins, que ele não estava para ouvir, mas sim para ser ouvido.
Ofereceu-se para ouvi-lo.
Ele, então, falou de toda sua angústia, angústia vinda de tantos pensamentos que lhe vinham à mente.
Pensava em tantas coisas, na fome do mundo, nas guerras, na intolerância, enfim, em todos os males da humanidade e se angustiava por não saber como ajudar e por não conseguir parar de pensar em tantas coisas ao mesmo tempo.
O coração dela apertou com o sofrimento dele.
Puxou-o em sua direção, recostando-lhe a cabeça em seu ombro.
Então, com um gesto de extremo amor, abriu-lhe a cabeça para que seus pensamentos pudessem escapar.
Conheceram-se ao acaso, num desses acasos que a Internet propicia.
Em pouco tempo tornaram-se bem próximos.
Não a proximidade de apaixonados virtuais, mas sim aquela mais palpável, a proximidade da amizade.
Ele era o tipo que gostava de falar e ela de ouvir.
Ele angustiado, ela tranquilizadora.
Algumas vezes, trocavam de lugar - era ele quem ouvia as angústias dela e, assim, sentiam-se mais e mais unidos.
Chegou, enfim, o dia de concretizarem a amizade, encontrando-se fora do mundo virtual.
Como esperado, sentiram, no abraço que trocaram, como se há muito se conhecessem.
Ela tinha tanto a lhe dizer, tantas coisas a contar, mas notou que aquele era um de seus dias ruins, que ele não estava para ouvir, mas sim para ser ouvido.
Ofereceu-se para ouvi-lo.
Ele, então, falou de toda sua angústia, angústia vinda de tantos pensamentos que lhe vinham à mente.
Pensava em tantas coisas, na fome do mundo, nas guerras, na intolerância, enfim, em todos os males da humanidade e se angustiava por não saber como ajudar e por não conseguir parar de pensar em tantas coisas ao mesmo tempo.
O coração dela apertou com o sofrimento dele.
Puxou-o em sua direção, recostando-lhe a cabeça em seu ombro.
Então, com um gesto de extremo amor, abriu-lhe a cabeça para que seus pensamentos pudessem escapar.
15/03/2004
"Tenho um curioso animal, metade gatinho, metade cordeiro.
É uma herança de meu pai.
Em meu poder, desenvolveu-se completamente; antes era mais cordeiro que gato. Agora é metade um e metade outro.
Do gato tem a cabeça e as unhas; do cordeiro, o tamanho e a forma; de ambos, os olhos, que são ariscos e faiscantes, a pele suave e ajustada ao corpo, os movimentos ao mesmo tempo saltitantes e furtivos. (...)"
Uma Cruza, Jorge Luis Borges

Se espaço for infinito, então nós podemos estar a qualquer ponto em espaço.
Se tempo for infinito, nós podemos estar a tempo.
É uma herança de meu pai.
Em meu poder, desenvolveu-se completamente; antes era mais cordeiro que gato. Agora é metade um e metade outro.
Do gato tem a cabeça e as unhas; do cordeiro, o tamanho e a forma; de ambos, os olhos, que são ariscos e faiscantes, a pele suave e ajustada ao corpo, os movimentos ao mesmo tempo saltitantes e furtivos. (...)"
Uma Cruza, Jorge Luis Borges

Se tempo for infinito, nós podemos estar a tempo.
29/02/2004
Tudo o que eu sempre quis ler sobre minhocas e casquinhas:
"Depois da noite, a casca rompeu e pudemos ver tudo o que acontecia lá dentro. Um monte de minhocas coloridas (a vermelha, a vermelha...) saíram rastejando por cima das mil casquinhas - engraçado, eu pensei que eu não teria mais casca e veja só! Agora tenho casquinhas e minhocas. Tenho cascas e minhocas.(...)"
Da Paulinha, escrevendo automaticamente.
"Depois da noite, a casca rompeu e pudemos ver tudo o que acontecia lá dentro. Um monte de minhocas coloridas (a vermelha, a vermelha...) saíram rastejando por cima das mil casquinhas - engraçado, eu pensei que eu não teria mais casca e veja só! Agora tenho casquinhas e minhocas. Tenho cascas e minhocas.(...)"
Da Paulinha, escrevendo automaticamente.
16/02/2004
Comendo com café:
Colagem da Luciana - um apetizer;
Montanha-Russa sabor bullar;
Naked Emotions, just for fun;
Sushi Leblon - não parece, mas é um pastel de Santa Clara d'ishtalar a língua;
Zero-Grau, meu gela-güela;
Brusk Não Fala Francês, mas dá um ótimo petit-four.
Colagem da Luciana - um apetizer;
Montanha-Russa sabor bullar;
Naked Emotions, just for fun;
Sushi Leblon - não parece, mas é um pastel de Santa Clara d'ishtalar a língua;
Zero-Grau, meu gela-güela;
Brusk Não Fala Francês, mas dá um ótimo petit-four.
11/02/2004
Opinião
O pior é o Melhor, por Diogo Mainardi
"Desde cedo, a única meta que eu tinha era ir embora de São Paulo. Fracassei em minha primeira tentativa migratória. Fracassei na segunda. Na terceira, deu certo. Fui embora e nunca mais voltei.
Depois de tantos anos de afastamento, finalmente me reconciliei com a cidade. Aprendi a reconhecer seus méritos. O maior deles, é despertar o sentimento de repulsa em seus habitantes. São Paulo é tão detestável, que somos estimulados a rejeitar nossa origem, a buscar lá fora o que não podemos encontrar aqui dentro.
Parece pouco. Não é. São Paulo não acomoda. Ela nos deixa num permanente estado de insatisfação e precariedade. O paulistano não é apegado a nada. Está sempre de malas prontas, disposto a abandonar oportunisticamente tudo o que lhe pertence: sua cidade, seu país, sua família, suas idéias.
Não temos o sentido de coletividade: não sabemos votar, não sabemos respeitar as regras, não sabemos pensar no próximo, não sabemos cumprir acordos. Em compensação, conseguiríamos nos adaptar com facilidade a um holocausto nuclear. Pena que a perspectiva de um holocausto nuclear seja cada dia mais remota.
A música é o mais importante elemento de identidade nacional. Em São Paulo, a falta de sentido de coletividade nos impediu de desenvolver um estilo musical. Ao contrário do resto do Brasil, não temos ritmos próprios, não temos artistas de peso. Nosso ouvido é duro. Na festa de aniversário da cidade, o melhor que conseguimos apresentar foi o grupo Demônios da Garoa. Caetano Veloso também homenageou a cidade, mas ele não conta, porque é baiano e, sobretudo, porque homenageia qualquer lugar. Ele já homenageou Londres, Barcelona, Nova Iorque, São Francisco e Brasília. Já homenageou até Tel-Aviv. Caetano Veloso é como Lamartine Babo, que escreveu os hinos de todos os times de futebol do Rio de Janeiro.
É uma sorte que São Paulo seja tão pouco musical. A música popular constitui o maior fator de atraso no Brasil. Quanto mais musical é uma região, mais subdesenvolvida ela é. A musicalidade dos brasileiros está diretamente relacionada com as epidemias de leishmaniose, os esgotos a céu aberto, os desmoronamentos de favelas. São Paulo é a cidade mais rica do Brasil simplesmente porque não entende nada de música popular, agora, publicam livros com todas as suas letras. Quem consegue compreender o significado dessas letras nunca irá aprender a construir uma ponte, ou a planejar o escoamento de um milharal, ou a obturar um dente cariado. Um conhecimento anula o outro.
O Brasil se reconhece no sentimentalismo mais ordinário, no verso mais incongruente, na batida mais simplória. Nos foi ensinado que a música nos ajudou a resistir a todos os tipos de autoritarismo. Mentira. A música é um instrumento de dominação. Tanto que todos os partidos políticos criam seus sambinhas para o horário eleitoral. Se até o PTB tem seu sambinha, é sinal de que há algo errado na MPB.
São Paulo é a pior cidade do Brasil. Mas nós, paulistanos, até que temos a nossa graça: não levamos jeito para a música, o que nos torna, tudo somado, um pouco menos brasileiros."

Rob Gonsalves - Scenery Change
O pior é o Melhor, por Diogo Mainardi
"Desde cedo, a única meta que eu tinha era ir embora de São Paulo. Fracassei em minha primeira tentativa migratória. Fracassei na segunda. Na terceira, deu certo. Fui embora e nunca mais voltei.
Depois de tantos anos de afastamento, finalmente me reconciliei com a cidade. Aprendi a reconhecer seus méritos. O maior deles, é despertar o sentimento de repulsa em seus habitantes. São Paulo é tão detestável, que somos estimulados a rejeitar nossa origem, a buscar lá fora o que não podemos encontrar aqui dentro.
Parece pouco. Não é. São Paulo não acomoda. Ela nos deixa num permanente estado de insatisfação e precariedade. O paulistano não é apegado a nada. Está sempre de malas prontas, disposto a abandonar oportunisticamente tudo o que lhe pertence: sua cidade, seu país, sua família, suas idéias.
Não temos o sentido de coletividade: não sabemos votar, não sabemos respeitar as regras, não sabemos pensar no próximo, não sabemos cumprir acordos. Em compensação, conseguiríamos nos adaptar com facilidade a um holocausto nuclear. Pena que a perspectiva de um holocausto nuclear seja cada dia mais remota.
A música é o mais importante elemento de identidade nacional. Em São Paulo, a falta de sentido de coletividade nos impediu de desenvolver um estilo musical. Ao contrário do resto do Brasil, não temos ritmos próprios, não temos artistas de peso. Nosso ouvido é duro. Na festa de aniversário da cidade, o melhor que conseguimos apresentar foi o grupo Demônios da Garoa. Caetano Veloso também homenageou a cidade, mas ele não conta, porque é baiano e, sobretudo, porque homenageia qualquer lugar. Ele já homenageou Londres, Barcelona, Nova Iorque, São Francisco e Brasília. Já homenageou até Tel-Aviv. Caetano Veloso é como Lamartine Babo, que escreveu os hinos de todos os times de futebol do Rio de Janeiro.
É uma sorte que São Paulo seja tão pouco musical. A música popular constitui o maior fator de atraso no Brasil. Quanto mais musical é uma região, mais subdesenvolvida ela é. A musicalidade dos brasileiros está diretamente relacionada com as epidemias de leishmaniose, os esgotos a céu aberto, os desmoronamentos de favelas. São Paulo é a cidade mais rica do Brasil simplesmente porque não entende nada de música popular, agora, publicam livros com todas as suas letras. Quem consegue compreender o significado dessas letras nunca irá aprender a construir uma ponte, ou a planejar o escoamento de um milharal, ou a obturar um dente cariado. Um conhecimento anula o outro.
O Brasil se reconhece no sentimentalismo mais ordinário, no verso mais incongruente, na batida mais simplória. Nos foi ensinado que a música nos ajudou a resistir a todos os tipos de autoritarismo. Mentira. A música é um instrumento de dominação. Tanto que todos os partidos políticos criam seus sambinhas para o horário eleitoral. Se até o PTB tem seu sambinha, é sinal de que há algo errado na MPB.
São Paulo é a pior cidade do Brasil. Mas nós, paulistanos, até que temos a nossa graça: não levamos jeito para a música, o que nos torna, tudo somado, um pouco menos brasileiros."

05/02/2004
com os pés na mobília
Não me recriminem.
Eu nunca prometi constância nem qualidade.
Este site é um passa-tempo.
Entro e saio de casa e já não há mais chá no bule (só café - café NUNCA faltará). Aqui é como casa de vó no interior: entra sem bater, bebe e come sem pedir e vai embora. Tem quem fique para dormir, mas aí já são outros quinhentos. Para quem não tem vó no interior, pense num alberque para moradores de rua. Tudo espalhado, portão sem trava, porta sem maçaneta, sopão na canequinha. Todo mundo pode, livremente. A diferença é que, ocasionalmente, sai um filé na chapa. O CA SI O NAL MEN TE, para não gastar verba, nem desabar na fadiga.
Então.
Por enquanto, só sopão com café.
Não me recriminem.
Eu nunca prometi constância nem qualidade.
Este site é um passa-tempo.
Entro e saio de casa e já não há mais chá no bule (só café - café NUNCA faltará). Aqui é como casa de vó no interior: entra sem bater, bebe e come sem pedir e vai embora. Tem quem fique para dormir, mas aí já são outros quinhentos. Para quem não tem vó no interior, pense num alberque para moradores de rua. Tudo espalhado, portão sem trava, porta sem maçaneta, sopão na canequinha. Todo mundo pode, livremente. A diferença é que, ocasionalmente, sai um filé na chapa. O CA SI O NAL MEN TE, para não gastar verba, nem desabar na fadiga.
Então.
Por enquanto, só sopão com café.
28/10/2003
Dialoguinho
Du: Ó de casa!
Cris: Olá, tudo em riba? Reparou na minha testa fritada? Vermeio-sinalêro.
Du: Pensa o que que só porque é brasileira-persa que é mulata para tomar sol sem protetor?
Cris: Falhei.
Du: Em que parte do nosso augusto litoral Vossa alteza andou tostando a fronte?
Cris: Fritei-me na cercania de Ubachuva-do-Norte
Du: Que é isso? Um recanto campinóide?
Cris: Omessa, folgo em não ser, jamais pisaria em vil local.
Du: Perquê vossa mercê evita tais logradouros?
Cris: Só vou para remessar endívias ao vento, quereis isso?
Du: Toda crítica é bem vinda, mesmo que leguminosa.
Cris: E endívia lá é leguma, ignaro??
Du: Vossa mercê esta menoscabando de meu léxico?
Cris: De quando em vez. Afinal, quem é a sirigaita dos folguedos?
Du: A melhor amiga de minha adorada futura esposa.
Cris: Neste ambiente negriscuro, aposto o hálux que era fornicação.
Du: Devo dizer-lhe que minha discrição impede-me de propalar tais venturas...
Cris: Abusaste da dama! Reportarei aos 4 ventos.
Du: A digníssima ao meu lado já foi minha consorte, porém hoje tenho-a como confidente, somente deixando para trás os folgedos de alcova...
Cris: Ai de mim a ouvir petas! Ainda fornicam à contento, só os tolos deglutem esta lorota.
Du: Se continuares descabidamente a duvidar de minha palavra, defenestro-te...
Cris: Não há janelas em casa mia. Doidivanas. Cadê o Godofredo? Que é do Godofredo?
Du: Godofredo?
Cris: Seu cachorrinho, o Godofredo...
Du: O Boomer?
Cris: Isso, o Godofredo.
Du: Vai dormir lá fora hoje.
Cris: Que fez para merecer tal descaso?
Du: Teve um embate com um marsupial ...
Cris: HAHAHAHA! Típico do godofredo...
Du: Vou ter que dar banho com molho de tomate nele amanhã. Bom, vou-me, agora.
Cris: Já vai tarde.
Du: Até outra, a próxima.
Cris: Até-la.
Du: Ó de casa!
Cris: Olá, tudo em riba? Reparou na minha testa fritada? Vermeio-sinalêro.
Du: Pensa o que que só porque é brasileira-persa que é mulata para tomar sol sem protetor?
Cris: Falhei.
Du: Em que parte do nosso augusto litoral Vossa alteza andou tostando a fronte?
Cris: Fritei-me na cercania de Ubachuva-do-Norte
Du: Que é isso? Um recanto campinóide?
Cris: Omessa, folgo em não ser, jamais pisaria em vil local.
Du: Perquê vossa mercê evita tais logradouros?
Cris: Só vou para remessar endívias ao vento, quereis isso?
Du: Toda crítica é bem vinda, mesmo que leguminosa.
Cris: E endívia lá é leguma, ignaro??
Du: Vossa mercê esta menoscabando de meu léxico?
Cris: De quando em vez. Afinal, quem é a sirigaita dos folguedos?
Du: A melhor amiga de minha adorada futura esposa.
Cris: Neste ambiente negriscuro, aposto o hálux que era fornicação.
Du: Devo dizer-lhe que minha discrição impede-me de propalar tais venturas...
Cris: Abusaste da dama! Reportarei aos 4 ventos.
Du: A digníssima ao meu lado já foi minha consorte, porém hoje tenho-a como confidente, somente deixando para trás os folgedos de alcova...
Cris: Ai de mim a ouvir petas! Ainda fornicam à contento, só os tolos deglutem esta lorota.
Du: Se continuares descabidamente a duvidar de minha palavra, defenestro-te...
Cris: Não há janelas em casa mia. Doidivanas. Cadê o Godofredo? Que é do Godofredo?
Du: Godofredo?
Cris: Seu cachorrinho, o Godofredo...
Du: O Boomer?
Cris: Isso, o Godofredo.
Du: Vai dormir lá fora hoje.
Cris: Que fez para merecer tal descaso?
Du: Teve um embate com um marsupial ...
Cris: HAHAHAHA! Típico do godofredo...
Du: Vou ter que dar banho com molho de tomate nele amanhã. Bom, vou-me, agora.
Cris: Já vai tarde.
Du: Até outra, a próxima.
Cris: Até-la.
26/09/2003
Conforme o prometido no post do dia 23 de Maio (entitulado Música e Surrealismo) e atendendo aos pedidos do meu caro leitor e entusiasta surrealista, o senhor Linguado, volto hoje com outro tema, igualmente desconhecido e olvidado pela maioria:
Arquitetura e Surrealismo
Assim como a arquitetura é um tipo de junção da engenharia com a arte, Antoni Gaudí promoveu a fusão da arquitetura Art Nouveau, o Gótico e o Surrealismo. É possível? E como é possível! Os repertórios utilizáveis da arquitetura estão intimamente relacionados com a arte, a filosofia, a ciência e a contínua evolução da sociedade, de modo que, mais uma vez, podemos encontrar o surrealismo lançando seus nubívagos braços também na arquitetura e urbanismo.

Casa Batlló - seus balcões parecem semoventes. Chaminés engraçadas e telhado ondulado. (Comparem à casa ao lado, que segue os padrões gerais encontrados em centros de cidades.)

Sagrada Família - Cinco torres da mais famosa construção de Gaudi - a catedral Sagrada Família, em Barcelona. Note o cipreste (um dos símbolos do cristianismo) talhado em pedra, ao centro, com pombas, representando os espíritos santos, alinhadas a ele - tudo em pedra.

Sagrada Família - Detalhes: Gárgulas em forma de iguana...

...e em forma de caracóis.

Casa Milà, La pedrera.

Casa Milà, La pedrera - Detalhe: reparem nas formas do balcão e as ferragens.
Arquitetura e Surrealismo
Assim como a arquitetura é um tipo de junção da engenharia com a arte, Antoni Gaudí promoveu a fusão da arquitetura Art Nouveau, o Gótico e o Surrealismo. É possível? E como é possível! Os repertórios utilizáveis da arquitetura estão intimamente relacionados com a arte, a filosofia, a ciência e a contínua evolução da sociedade, de modo que, mais uma vez, podemos encontrar o surrealismo lançando seus nubívagos braços também na arquitetura e urbanismo.
Casa Batlló - seus balcões parecem semoventes. Chaminés engraçadas e telhado ondulado. (Comparem à casa ao lado, que segue os padrões gerais encontrados em centros de cidades.)

Sagrada Família - Cinco torres da mais famosa construção de Gaudi - a catedral Sagrada Família, em Barcelona. Note o cipreste (um dos símbolos do cristianismo) talhado em pedra, ao centro, com pombas, representando os espíritos santos, alinhadas a ele - tudo em pedra.

Sagrada Família - Detalhes: Gárgulas em forma de iguana...

...e em forma de caracóis.

Casa Milà, La pedrera.

Casa Milà, La pedrera - Detalhe: reparem nas formas do balcão e as ferragens.
Mensão Honrosa ao Gênero Insone:
Expulso a punção de mim
e me pergunto o que sobra
de tantas cinzas,
de tanto cinza...
Nada mais é sequer vermelho.
ou
Da pressão interna,
as entranhas em revolução.
E mordo o lábio inferior
- escorre sangue em meus dentes.
Os olhos fecham repetitiva e lentamente...
No ritmo frenético de estocadas.
O corpo todo treme em ânsia...
"and then it's nice and quiet".
Expulso a punção de mim
e me pergunto o que sobra
de tantas cinzas,
de tanto cinza...
Nada mais é sequer vermelho.
ou
Da pressão interna,
as entranhas em revolução.
E mordo o lábio inferior
- escorre sangue em meus dentes.
Os olhos fecham repetitiva e lentamente...
No ritmo frenético de estocadas.
O corpo todo treme em ânsia...
"and then it's nice and quiet".
09/09/2003
Do Fantasma
Apareceu.
Olhei. Olhei.
Falou:
- Desculpe. Não sabia que podia me ver.
- O que você quer?
- Nada. Estava só vendo como vão as coisas. Como vão as coisas?
- Vão indo. E você?
- Bem.
- Por que você resolveu assombrar?
- Não era esta minha intenção, apenas observava...
- Mas a sua visão me causa espanto.
- Sim...
- Por que você não some logo de uma vez? Por que vem aqui?
- Não sei, acho que não consegui me desligar.
- Mas como você pode ter ido embora e estar aqui ainda?
- Não sei.
- Desculpa, mas preferia que você sumisse. Eu não sei se vou conseguir conviver com você. Não é nada pessoal, só me deixa um pouco sufocada, meio confusa.
- Sei. É que está meio difícil seguir meu caminho. Temos um vínculo.
- Mas você se foi. Como pode ser? Não queria ter ido?
- Queria, mas...
- Me desculpe, mas não sei o que eu posso fazer. Se pudesse trazer de volta, faria com o maior prazer. Mas não sei. Posso trazê-lo de volta?
- Não, creio que não.
- Então o que faço?
- Mate-me.
- Como?
- Julgue-me e condene-me.
- Não posso, não detenho este poder. Lamento.
- Idiota.
- ...
- Nós não deixamos de lado nossas loucuras quando nos afantasmamos.
- Vai assombrar outra pessoa. Você pode.
- Podia, mas acho que é assim, como uma compulsão - quando vejo, já estou aqui.
- Então se desfantasma. Você pode?
- Poder eu posso. Não sei se quero.
- Eu não quero você afantasmado. Ou você se desfantasma, ou então vai pro inferno.
- Preferia ficar. Lá vou sentir vazio.
- Só vou ficar eu. Quem vai querer estar comigo com você por aqui? As pessoas vão ter medo. Longe daqui deve ter outros como você, vocês se farão companhia.
Sumiu como tinha aparecido, mas depois voltou.
Fiz que não o via, parecia meio confuso.
Achei que o melhor seria deixá-lo crer que não via.
Apareceu.
Olhei. Olhei.
Falou:
- Desculpe. Não sabia que podia me ver.
- O que você quer?
- Nada. Estava só vendo como vão as coisas. Como vão as coisas?
- Vão indo. E você?
- Bem.
- Por que você resolveu assombrar?
- Não era esta minha intenção, apenas observava...
- Mas a sua visão me causa espanto.
- Sim...
- Por que você não some logo de uma vez? Por que vem aqui?
- Não sei, acho que não consegui me desligar.
- Mas como você pode ter ido embora e estar aqui ainda?
- Não sei.
- Desculpa, mas preferia que você sumisse. Eu não sei se vou conseguir conviver com você. Não é nada pessoal, só me deixa um pouco sufocada, meio confusa.
- Sei. É que está meio difícil seguir meu caminho. Temos um vínculo.
- Mas você se foi. Como pode ser? Não queria ter ido?
- Queria, mas...
- Me desculpe, mas não sei o que eu posso fazer. Se pudesse trazer de volta, faria com o maior prazer. Mas não sei. Posso trazê-lo de volta?
- Não, creio que não.
- Então o que faço?
- Mate-me.
- Como?
- Julgue-me e condene-me.
- Não posso, não detenho este poder. Lamento.
- Idiota.
- ...
- Nós não deixamos de lado nossas loucuras quando nos afantasmamos.
- Vai assombrar outra pessoa. Você pode.
- Podia, mas acho que é assim, como uma compulsão - quando vejo, já estou aqui.
- Então se desfantasma. Você pode?
- Poder eu posso. Não sei se quero.
- Eu não quero você afantasmado. Ou você se desfantasma, ou então vai pro inferno.
- Preferia ficar. Lá vou sentir vazio.
- Só vou ficar eu. Quem vai querer estar comigo com você por aqui? As pessoas vão ter medo. Longe daqui deve ter outros como você, vocês se farão companhia.
Sumiu como tinha aparecido, mas depois voltou.
Fiz que não o via, parecia meio confuso.
Achei que o melhor seria deixá-lo crer que não via.
02/08/2003
Exmo. Sr. Carlos Saraiva, em resposta ao post anterior:
Tietê
O rio da minha aldeia
carrega meias de nylon
recolhe pernas sem meia
cabeças de degolados
pets, cascas de ferida
latinhas do feriado
fatos de porco, barracos
álbuns de fotografia
revólver de justiceiros
cadáveres desovados
sobras dos lixos do dia
mijos de dias inteiros
febre das disenterias.
Infecto-contagioso
é meu amor pelo rio
o rio da minha aldeia
que leva meias de seda
recolhe pés sem sapato
ribeirões de celulose
corações despedaçados
fígados desintegrados
pela hepatite e a cirrose.
O rio da minha aldeia
que a cada curva da estrada
entorpece-me as narinas
de emocional overdose
inspira tudo o que crio
aniquilando-me o olfato
podridão que me socorre
só corre nas minhas veias
providente e permissivo
me embebeda do seu porre
vai em frente, mata e morre
pra que eu continue vivo.
Tietê
O rio da minha aldeia
carrega meias de nylon
recolhe pernas sem meia
cabeças de degolados
pets, cascas de ferida
latinhas do feriado
fatos de porco, barracos
álbuns de fotografia
revólver de justiceiros
cadáveres desovados
sobras dos lixos do dia
mijos de dias inteiros
febre das disenterias.
Infecto-contagioso
é meu amor pelo rio
o rio da minha aldeia
que leva meias de seda
recolhe pés sem sapato
ribeirões de celulose
corações despedaçados
fígados desintegrados
pela hepatite e a cirrose.
O rio da minha aldeia
que a cada curva da estrada
entorpece-me as narinas
de emocional overdose
inspira tudo o que crio
aniquilando-me o olfato
podridão que me socorre
só corre nas minhas veias
providente e permissivo
me embebeda do seu porre
vai em frente, mata e morre
pra que eu continue vivo.
25/07/2003
O V e l h o S o f i s t a
Sentarei em meu sólio,
solinharei as estruturas vigentes
e imporei meu solipsismo.
Depois, permanecerei solitário,
balbuciando meu solilóquio.
Solitária é a sina dos ditadores solertes.
.
Em tempo:
"Se, a longo prazo, somos os criadores do nosso destino, de imediato somos escravos das idéias que criamos."
Friedrich A. Hayek
..
Sugestão: coletânia de poesias, leituras, manifestos e entrevistas com os grandes surrealistas:

Surrealism Reviewed 1929-1963
Tracklist:
01 TANGO ARGENTINOS Un Chien Andalou (1928)
02 HERBERT READ The Surrealist Object (1937)
03 MARCEL DUCHAMP The Creative Act (1957)
04 JEAN COCTEAU La Toison D'Or (1929)
05 MAX ERNST Interview (1960s)
06 TRISTAN TZARA Dada Into Surrealism (1959)
07 PHILIPPE SOUPAULT Interview (1959)
08 SALVADOR DALI Interview (1963)
09 MAN RAY Interview (n.d.)
10 LEE MILLER/ROLAND PENROSE Interview (1946)
11 ROBERT DESNOS Description of A Dream (1938)
12 ANDRE BRETON Interview (1950)
13 ANDRE BRETON L'Union Libre (n.d.)
14 LOUIS ARAGON Interview (1963)
15 ANTONIN ARTEAUD Alienation Et Magie Noire (1947)
Sentarei em meu sólio,
solinharei as estruturas vigentes
e imporei meu solipsismo.
Depois, permanecerei solitário,
balbuciando meu solilóquio.
Solitária é a sina dos ditadores solertes.
.
Em tempo:
"Se, a longo prazo, somos os criadores do nosso destino, de imediato somos escravos das idéias que criamos."
Friedrich A. Hayek
..
Sugestão: coletânia de poesias, leituras, manifestos e entrevistas com os grandes surrealistas:
Surrealism Reviewed 1929-1963
Tracklist:
01 TANGO ARGENTINOS Un Chien Andalou (1928)
02 HERBERT READ The Surrealist Object (1937)
03 MARCEL DUCHAMP The Creative Act (1957)
04 JEAN COCTEAU La Toison D'Or (1929)
05 MAX ERNST Interview (1960s)
06 TRISTAN TZARA Dada Into Surrealism (1959)
07 PHILIPPE SOUPAULT Interview (1959)
08 SALVADOR DALI Interview (1963)
09 MAN RAY Interview (n.d.)
10 LEE MILLER/ROLAND PENROSE Interview (1946)
11 ROBERT DESNOS Description of A Dream (1938)
12 ANDRE BRETON Interview (1950)
13 ANDRE BRETON L'Union Libre (n.d.)
14 LOUIS ARAGON Interview (1963)
15 ANTONIN ARTEAUD Alienation Et Magie Noire (1947)
24/07/2003
E s p l a n c n o t o m i a
(Série de três poesias da Lebre, baseadas no poema Congresso Internacional do Medo, de Carlos Drummond de Andrade)
E s p l a n c n o t o m i a 1
Provisoriamente não cantamos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantamos o temor, que esteriliza os abraços.
Não cantamos o ódio, pois que esse não existe - existe apenas o medo, nosso pai e companheiro.
O medo grande das liças, dos mares, dos desertos.
O medo dos soldados, das mães, das carolas.
Cantamos o medo dos ditadores, dos democratas, da morte, e do depois da morte.
Morreremos de medo e, sobre nossos túmulos, nascerão flores amarelas.
.
E s p l a n c n o t o m i a 2
Provisoriamente cantamos o amor, que aflorou a despeito das flores amarelas.
Cantamos sem temor, reciclado na memória.
Cantamos a paixão por tudo o que existe - fogo vivo, mãe constituinte.
O amor grande pelos sertões, pelos mares, pelos céus.
O amor das crianças, dos pais, dos velhos.
Cantamos o amor dos amantes, dos cidadãos, pela vida e além-vida.
Morremos de amor e, sobre nossos túmulos, pairarão borboletas.
.
E s p l a n c n o t o m i a 3
Provisoriamente cantamos o silêncio, que pairou com as borboletas.
Não cantamos ilusão, discorrendo a memória.
Cantamos o silêncio que engole o que existe - sério, sério, sério.
O silêncio grande pelos campos, pelos desertos, pelos espaços.
O silêncio das pessoas, dos deuses, dos mistérios.
Cantamos o silêncio dos pobres, dos tristes, da existência e da não-existência.
Morremos aos poucos e, sobre nossos túmulos, haverá silêncio, nada mais.
(Série de três poesias da Lebre, baseadas no poema Congresso Internacional do Medo, de Carlos Drummond de Andrade)
E s p l a n c n o t o m i a 1
Provisoriamente não cantamos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantamos o temor, que esteriliza os abraços.
Não cantamos o ódio, pois que esse não existe - existe apenas o medo, nosso pai e companheiro.
O medo grande das liças, dos mares, dos desertos.
O medo dos soldados, das mães, das carolas.
Cantamos o medo dos ditadores, dos democratas, da morte, e do depois da morte.
Morreremos de medo e, sobre nossos túmulos, nascerão flores amarelas.
.
E s p l a n c n o t o m i a 2
Provisoriamente cantamos o amor, que aflorou a despeito das flores amarelas.
Cantamos sem temor, reciclado na memória.
Cantamos a paixão por tudo o que existe - fogo vivo, mãe constituinte.
O amor grande pelos sertões, pelos mares, pelos céus.
O amor das crianças, dos pais, dos velhos.
Cantamos o amor dos amantes, dos cidadãos, pela vida e além-vida.
Morremos de amor e, sobre nossos túmulos, pairarão borboletas.
.
E s p l a n c n o t o m i a 3
Provisoriamente cantamos o silêncio, que pairou com as borboletas.
Não cantamos ilusão, discorrendo a memória.
Cantamos o silêncio que engole o que existe - sério, sério, sério.
O silêncio grande pelos campos, pelos desertos, pelos espaços.
O silêncio das pessoas, dos deuses, dos mistérios.
Cantamos o silêncio dos pobres, dos tristes, da existência e da não-existência.
Morremos aos poucos e, sobre nossos túmulos, haverá silêncio, nada mais.
14/07/2003
Smiling with the Cheshire Cat

- Insetos voam em giros e zigue-zagues tão loucos. Fico imaginando porquê não enjoam e vomitam.
- Talvez eles o façam.
- Argh, nojento! Ha ha ha! Mas então por que continuariam voando desse jeito?
- Talvez insetos gostem de vomitar!
- Aaaargh! Eles gostariam!! Ha ha ha ha! Bargh! Eu lhe digo, Hobbes, é ótimo ter um amigo que aprecia uma séria discussão de idéias.
(Calvin & Hobbes, Bill Watterson)

- Insetos voam em giros e zigue-zagues tão loucos. Fico imaginando porquê não enjoam e vomitam.
- Talvez eles o façam.
- Argh, nojento! Ha ha ha! Mas então por que continuariam voando desse jeito?
- Talvez insetos gostem de vomitar!
- Aaaargh! Eles gostariam!! Ha ha ha ha! Bargh! Eu lhe digo, Hobbes, é ótimo ter um amigo que aprecia uma séria discussão de idéias.
(Calvin & Hobbes, Bill Watterson)
07/07/2003
Linkaram o Surrealismo Dos Atos:
§ André Felipe Ribeiro - publicidade & afins;
§ Ministério do Caos, da Cris Fernandes - imperdível;
§ Postal, da Cris Carriconde - irmã da Lebre, de acordo com o Chapeleiro...;
§ Supply, do Humberto - infelizmente, parece que ele abandonou sua própria causa, recentemente;
§ Versamentos, da Andréa - a Lebre lê tomando chá, obviamente.
Linkado pelo Surrealismo Dos Atos:
§ RITS - Rede de Informações do Terceiro Setor - fique por dentro ds acontecimentos no terceiro setor.
§ André Felipe Ribeiro - publicidade & afins;
§ Ministério do Caos, da Cris Fernandes - imperdível;
§ Postal, da Cris Carriconde - irmã da Lebre, de acordo com o Chapeleiro...;
§ Supply, do Humberto - infelizmente, parece que ele abandonou sua própria causa, recentemente;
§ Versamentos, da Andréa - a Lebre lê tomando chá, obviamente.
Linkado pelo Surrealismo Dos Atos:
§ RITS - Rede de Informações do Terceiro Setor - fique por dentro ds acontecimentos no terceiro setor.
04/07/2003
paella
§ Estou aqui com uma baciona de pinhões cozidos. Veja que coisa súlica e inverneira.
§ É pinhão, sim sinhô. Aquela coisa que aquele passarinho pega não-sei-como e enterra não-sei-onde. Bom, como diria o saudoso Chacrinha, eu não estou aqui para explicar. Estou aqui para confundir
§ E quem já não quis ser Chacrete na infância? Você aí, leitora mais nova, bico calado: estou falando com minhas contemporâneas setentíceas. Conheço até homens que, atualmente, confessam ter tido vontade de ser Chacrete.
§ Quem vê as filmagens das moçoilas hoje nem imagina o sucesso que eram, levemente barangas que eram. Mas era empolgante ver o rebolado ouvindo ao wacca-wacca das guitarrinhas setentícias - e aquelas roupas bregas combinavam perfeitamente. Tinha aquela que fez sucesso e entrou para a história chacrídica, a Não-Sei-Quê Cadillac. Famosa, a tal Não-Sei-Quê Cadillac, quem não lembra dela?
§ Eu tenho um tio que é apaixonado pela Não-Sei-Quê Cadillac. Adoraaava a chacrete. Tinha fotos de Não-Sei-Quê Cadillac em todas as paredes, no teto, no chão. Não-Sei-Quê Cadillac pelada, com roupa, de terno, de escafandro, de tudo-quanto-há possível de Não-Sei-Quê Cadillac. Esse meu tio é hippie até hoje, acredita?
§ Esse meu tio é o feliz possuidor de uma bicicleta modelo 1970 roxa, com buzina de apertar, penduricalhos no guidóm e rádio de carro embutido embaixo do banco - parece uma Harley Davidson humilde. Ele que é feliz. Já foi até a Bahia com a bicicleta (mora no sul de minas).
§ Eu não minto! Meu tio diz que também não mente. Explicaria muita coisa saber se maluquice vem no DNA.
É. Talvez seja esse o meu problema: o maldito DNA.
§ Esse meu amigo diz que talvez eu devesse seguir o exemplo de titio e rodar o mundo numa bicicleta, assim iria acabar descobrindo o que quero. O único inconveniente é que titio não descobriu o que quer até hoje. E olha que já está com 70-e-lá-vai-pedrada. Inferno. Pelo menos é magricelo.
§ Jurei que vou parar de fumar aos 30 anos. Que São Judas Tadeu me ajude.
§ Também jurei que ia entrar na natação, pois adoro ficar de molho. Falhô, São Judas me deu as costas.
§ Por que será que conversa de bar sempre começa com frugalidades e termina com salvar-o-mundo? Minto: nem sempre termina nisso. Na verdade, às vezes nem começa. Depende da companhia. E do lugar, também.
§ Dependendo da companhia, pode ser um monólogo e não uma conversa. E isso é boring. Em outros casos, dependendo do lugar, a conversa termina em briga, em beijo ou em salvar-o-mundo/ artes. Salvar-o-mundo ou artes, de maneira geral, quase sempre ocorrem em algum boteco de Barão Geraldo e adjacências. Estatísticas.
§ Por falar em amiguinhos, domingo tem peça do Badaró no Centro Cultural Evolução, em Campinas, não percam. A peça: 'Ensaios Cênicos Sobre o Amor'. Eu estarei lá com a bolsa cheia de perauvamaçã (essa é pra você, Orley!) e ovo, para tacar nele caso ele falhe ou caso eu não dê risada. Vou lá exclusivamente para dar risada, heim, bom...
§ Eu nasci para dar risada, com minha cara de descanso. E sou palhaça. Devia seguir carreira, abandonar tudo e ser palhaça. Meu sonho é ser Doutora da Alegria. Já te contei isso? Pois é, é verdade. Vida sem riso não é vida; é girar em falso, já diria o parafuso espanado.
§ Isso me lembra quando eu era criança pequena lá em Catmandu. Foi assim: tudo começou com um grande BUM! que foi chamado, posteriormente, 'The Big Bang', ou 'O Grande Bum', para os mais simplórios. No sétimo dia ele descansou e criou eu, com cara de descanso, juntamente com as flores de março (mas isso não foi em março, foi em novembro). Chega por hoje.
§ Estou aqui com uma baciona de pinhões cozidos. Veja que coisa súlica e inverneira.
§ É pinhão, sim sinhô. Aquela coisa que aquele passarinho pega não-sei-como e enterra não-sei-onde. Bom, como diria o saudoso Chacrinha, eu não estou aqui para explicar. Estou aqui para confundir
§ E quem já não quis ser Chacrete na infância? Você aí, leitora mais nova, bico calado: estou falando com minhas contemporâneas setentíceas. Conheço até homens que, atualmente, confessam ter tido vontade de ser Chacrete.
§ Quem vê as filmagens das moçoilas hoje nem imagina o sucesso que eram, levemente barangas que eram. Mas era empolgante ver o rebolado ouvindo ao wacca-wacca das guitarrinhas setentícias - e aquelas roupas bregas combinavam perfeitamente. Tinha aquela que fez sucesso e entrou para a história chacrídica, a Não-Sei-Quê Cadillac. Famosa, a tal Não-Sei-Quê Cadillac, quem não lembra dela?
§ Eu tenho um tio que é apaixonado pela Não-Sei-Quê Cadillac. Adoraaava a chacrete. Tinha fotos de Não-Sei-Quê Cadillac em todas as paredes, no teto, no chão. Não-Sei-Quê Cadillac pelada, com roupa, de terno, de escafandro, de tudo-quanto-há possível de Não-Sei-Quê Cadillac. Esse meu tio é hippie até hoje, acredita?
§ Esse meu tio é o feliz possuidor de uma bicicleta modelo 1970 roxa, com buzina de apertar, penduricalhos no guidóm e rádio de carro embutido embaixo do banco - parece uma Harley Davidson humilde. Ele que é feliz. Já foi até a Bahia com a bicicleta (mora no sul de minas).
§ Eu não minto! Meu tio diz que também não mente. Explicaria muita coisa saber se maluquice vem no DNA.
É. Talvez seja esse o meu problema: o maldito DNA.
§ Esse meu amigo diz que talvez eu devesse seguir o exemplo de titio e rodar o mundo numa bicicleta, assim iria acabar descobrindo o que quero. O único inconveniente é que titio não descobriu o que quer até hoje. E olha que já está com 70-e-lá-vai-pedrada. Inferno. Pelo menos é magricelo.
§ Jurei que vou parar de fumar aos 30 anos. Que São Judas Tadeu me ajude.
§ Também jurei que ia entrar na natação, pois adoro ficar de molho. Falhô, São Judas me deu as costas.
§ Por que será que conversa de bar sempre começa com frugalidades e termina com salvar-o-mundo? Minto: nem sempre termina nisso. Na verdade, às vezes nem começa. Depende da companhia. E do lugar, também.
§ Dependendo da companhia, pode ser um monólogo e não uma conversa. E isso é boring. Em outros casos, dependendo do lugar, a conversa termina em briga, em beijo ou em salvar-o-mundo/ artes. Salvar-o-mundo ou artes, de maneira geral, quase sempre ocorrem em algum boteco de Barão Geraldo e adjacências. Estatísticas.
§ Por falar em amiguinhos, domingo tem peça do Badaró no Centro Cultural Evolução, em Campinas, não percam. A peça: 'Ensaios Cênicos Sobre o Amor'. Eu estarei lá com a bolsa cheia de perauvamaçã (essa é pra você, Orley!) e ovo, para tacar nele caso ele falhe ou caso eu não dê risada. Vou lá exclusivamente para dar risada, heim, bom...
§ Eu nasci para dar risada, com minha cara de descanso. E sou palhaça. Devia seguir carreira, abandonar tudo e ser palhaça. Meu sonho é ser Doutora da Alegria. Já te contei isso? Pois é, é verdade. Vida sem riso não é vida; é girar em falso, já diria o parafuso espanado.
§ Isso me lembra quando eu era criança pequena lá em Catmandu. Foi assim: tudo começou com um grande BUM! que foi chamado, posteriormente, 'The Big Bang', ou 'O Grande Bum', para os mais simplórios. No sétimo dia ele descansou e criou eu, com cara de descanso, juntamente com as flores de março (mas isso não foi em março, foi em novembro). Chega por hoje.
27/06/2003
meia-lebre
Estou em semi-férias, semi-descansando. Com um pé na salmoura, outro no tênis de corrida. Minha cabeça anda semi-inconsciente e minhas orelhas leporinas deram um nó. Se ando pensando pela metade, escrevo só meias-palavras e digo meias-verdades. Contribui para isso meu pular-por-aí: vou pulando por aí, pulando, pulando, pulando, longe do computador. Lembra da minha proposta de ser mais cirenaísta? Poisé, estive longe dela, preciso voltar o quanto antes, sob a pena de tornar-me uma louca furiosa (como diria Alice) - enquanto sou apenas doida, está bom. Deixo um rastro de músicas e obras surrealistas e, quando as pernas permitirem, escrevo algo meu, semi-interessante.
Estou em semi-férias, semi-descansando. Com um pé na salmoura, outro no tênis de corrida. Minha cabeça anda semi-inconsciente e minhas orelhas leporinas deram um nó. Se ando pensando pela metade, escrevo só meias-palavras e digo meias-verdades. Contribui para isso meu pular-por-aí: vou pulando por aí, pulando, pulando, pulando, longe do computador. Lembra da minha proposta de ser mais cirenaísta? Poisé, estive longe dela, preciso voltar o quanto antes, sob a pena de tornar-me uma louca furiosa (como diria Alice) - enquanto sou apenas doida, está bom. Deixo um rastro de músicas e obras surrealistas e, quando as pernas permitirem, escrevo algo meu, semi-interessante.
26/06/2003
Ei, pintassilgo
Oi, pintaroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol sem fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chapim
Xô, cotovia
Xô, ave-fria
Xô, pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
(Passaredo, Chico Buarque de Holanda & Francis Hime)

Pleasure - Renee Magritte
Oi, pintaroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol sem fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chapim
Xô, cotovia
Xô, ave-fria
Xô, pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
(Passaredo, Chico Buarque de Holanda & Francis Hime)

Pleasure - Renee Magritte
23/06/2003
Se você quiser, eu danço com você no pó da estrada
Pó, poeira
Ventania
Se você soltar o pé na estrada
Pó, poeira
Eu danço com você o que você dançar.
Se você deixar o sol bater nos seus cabelos verdes
Sol, sereno
Ouro e prata
Sai e vem comigo
Sol, semente
Madrugada
Eu vivo em qualquer parte do seu coração.
Se você quiser, eu danço com você - meu nome é nuvem
Pó, poiera
Movimento
O meu nome é nuvem
Ventania
Cor de vento
Eu vivo em qualquer parte do seu coração,
Se você deixar o coração bater sem medo.
(Se Você Quiser Eu Danço Com Você, Lô borges)

(Spirit, Anya Nadal)
Pó, poeira
Ventania
Se você soltar o pé na estrada
Pó, poeira
Eu danço com você o que você dançar.
Se você deixar o sol bater nos seus cabelos verdes
Sol, sereno
Ouro e prata
Sai e vem comigo
Sol, semente
Madrugada
Eu vivo em qualquer parte do seu coração.
Se você quiser, eu danço com você - meu nome é nuvem
Pó, poiera
Movimento
O meu nome é nuvem
Ventania
Cor de vento
Eu vivo em qualquer parte do seu coração,
Se você deixar o coração bater sem medo.
(Se Você Quiser Eu Danço Com Você, Lô borges)

(Spirit, Anya Nadal)

PULO AQUI, PULO ACOLÁ
LÁ VEM A LEBRE
PARA VER O QUE QUE HÁ.
SAIU DO SARGAÇO
TOMOU A COSTEIRA
CORREU SEM CANSAÇO
SORRIU SEM DEMORA
PR'O POVO DA AREIA
DIZENDO 'SIMBÓRA'
CORAÇÃO NA GÜELA
TOMOU UM CHAZINHO
DE SIRIGÜELA
CANSADA DA VINDA
ENTROU NO SEU BLOGUE
PRA FALAR DA VIDA.
10/06/2003
Vi, nos olhos do gato, a sua ira.
Crispadas,
suas mãos promoviam o paradoxo do afago.
Retesados, os músculos do felino
pronto para a fuga
denunciavam seu ânimo.
Como o bicho, submeti-me às suas garras,
submisso que sou, por livre vontade,
para meu gozo perigoso, aos seus desejos.
Vejo o seu sorriso vitorioso.
Compraz-me saber que, derrotado,
terei em troca o prazer:
prêmio de consolação,
mais valioso que o do orgulho da vitória.
Prefiro o seu carinho à glória e o seu amuo.
Rendo-me e rio,
um riso íntimo e silencioso
que a expressão não denuncie.
(Rendição, Fred Matos)

Crispadas,
suas mãos promoviam o paradoxo do afago.
Retesados, os músculos do felino
pronto para a fuga
denunciavam seu ânimo.
Como o bicho, submeti-me às suas garras,
submisso que sou, por livre vontade,
para meu gozo perigoso, aos seus desejos.
Vejo o seu sorriso vitorioso.
Compraz-me saber que, derrotado,
terei em troca o prazer:
prêmio de consolação,
mais valioso que o do orgulho da vitória.
Prefiro o seu carinho à glória e o seu amuo.
Rendo-me e rio,
um riso íntimo e silencioso
que a expressão não denuncie.
(Rendição, Fred Matos)

(In the Cat's Mouth, Pangorda)
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