14/04/2003

Maria calada e João abandonado

"O que é que a vida vai fazer de mim?"
eu era um louco, sempre a perguntar,
pois tu sumiste sem me avisar
no mundo foste pr'onde a vida é noite que não tem mais fim.

Agora sei: era fatal que o faz-de-conta terminasse assim
pra quem guardasse seu bodoque
e ensaiasse um rock para as matinês
quem enfrentasse os batalhões,
os alemães e seus canhões
pra quem a noiva fosse tu além de outras três
pra quem se achasse herói
com seu cavalo só falando inglês.

Mas meu amor, eu te bem-digo
no tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido.
Então vem, me dê a mão, a gente agora já não tem mais medo
eu sou o teu peão, o teu bicho preferido
não, não fujas não, veja que agora eu sou o teu brinquedo.

Tu és tão linda de se admirar
que poderias muito bem andar nua pelo meu país.
É a princesa que eu fiz coroar
e pela minha lei a gente é obrigado a ser feliz
pois que sou rei, bedel e também sou juiz.

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Nota: Agora releia sem pensar na música.

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